sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Entrevista com o Presidente do CREFITO 1 - Parte IV




Última parte da entrevista realizada com o presidente do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 1ª Região.
Veja também a primeira, segunda e terceira parte dessa entrevista.

Espero que essa entrevista tenha correspondido às expectativas dos leitores e aguardo sugestões de entrevistados para que possamos dar continuidade a essa proposta.


GOSTARÍAMOS DE SABER COMO O SENHOR ENXERGA A FISIOTERAPIA HOJE, DEPOIS DE 42 ANOS DE REGULAMENTAÇÃO? HOUVE AVANÇOS?

Houve avanço sim. Houve tanto avanço que se você traçar um paralelo proporcional, do crescimento da Fisioterapia nesses 42 anos e o da Medicina desde 500 anos atrás, vamos ver que proporcionalmente a Fisioterapia e a Terapia ocupacional cresceram mais; daí a criação do PL 268 (ato médico) que ficou parado há 9 anos na Comissão de constituição e justiça, devido ao forte empenho dos Conselhos de saúde inclusive do COFFITO, e recentemente, no dia 29/09, em uma audiência pública nessa mesma comissão, tivemos uma vitória expressiva sobre a medicina. O problema é que esse crescimento foi quantitativo, o qualitativo ficou a quem, e está na hora de organizarmos e ordenarmos o quantitativo e darmos um start muito maior no crescimento qualitativo. Não é fácil, não vamos conseguir em 2 meses ou 2 anos, nós temos uma gestão de 4 anos e vamos ter dado uma contribuição, mas é importante e primordial, a conscientização do profissional, inclusive de forma política; hoje é considerado feio falar de política, feio é a politicagem que se faz por baixo dos panos por interesse de uma minoria....mas quando fazemos a política verdadeira pela maioria, daí iremos trabalhar a melhora da sociedade. É importante a consciência política do profissional e acadêmico  para que possamos formar quadros, porque é necessário e imprescindível a rotatividade de cabeças e líderes para pensar a Fisioterapia e a Terapia Ocupacional numa quantidade maior para que amanhã possamos ter  a condição de discutir  de igual para igual, inclusive qualitativamente. Tenho orgulho de ser fisioterapeuta e devo as minhas conquistas à minha profissão que é aquela que leva a melhor condição de ver a vida com dignidade; mas é importante que acima de tudo nós possamos dar, com consciência, a dignidade merecida para essa profissão.

É importante a publicação de trabalhos, empenho dos profissionais em associações, para fazer regulamentações como a que foi idealizada através de parcerias com especialidades como a ASSOBRAFIR (RDC 7 da Anvisa). Se não fosse a SOBRAFIR, que completou 25 anos neste ano, junto com seus profissionais, preocupados, não teríamos os frutos mostrando a importância do fisioterapeuta na UTI. Isso porque tivemos vários trabalhos na área e dessa forma, estamos otimizando o serviço e isso só foi comprovado pelo avanço qualitativo da ASSOBRAFIR, por exemplo, e temos isso nas outras áreas, precisamos divulgar. No mundo somos o que menos publicamos, costumo dizer que o maior inimigo da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional é o fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional quando não conscientes da grande missão que eles têm.

PARA FINALIZAR, O SENHOR PODERIA DEIXAR UMA MENSAGEM PARA NOSSOS LEITORES ACADÊMICOS E FISIOTERAPEUTAS ASSIM COMO PARA A COMUNIDADE GERAL QUE ACOMPANHA NOSSO BLOG?

Costumo dizer que o fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional são profissionais que tem uma grande missão aqui na Terra, através das mãos e da sua mente eles têm a possibilidade de transformar vidas. Somente aquele que dependeu da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional, pode ressaltar a grandeza dessas duas profissões, e nós, que exercemos essas profissões, em busca do vio metal, muitas e muitas vezes abrimos mão dessa grandeza e a vendemos de forma tão barata, tornando-a cada vez mais indigna. A mensagem que eu deixo é que estamos fazendo apenas 42 anos nesse ano, muitos já desistiram da profissão, no meu caso, tenho 13 anos e um sou eterno apaixonado pela minha profissão que é a Fisioterapia, e sou um grande admirador da Terapia Ocupacional; acredito que são profissões, e não é da boca pra fora, acredito que são grandes profissões do futuro; não precisamos de bisturi, agulhas ou drogas para promover a melhora. Nós tocamos com afeto, carinho, com dedicação e empenho; temos a oportunidade de criar novas possibilidade e oportunidade para os pacientes; para aqueles que estão em coma, não estão andando, que têm dificuldade de se estabelecer em um determinado local, no seu trabalho, no dia a dia, nas atividades de vida diária; aí está a importância do fisioterapeuta do terapeuta ocupacional.  É importante que nós possamos realmente enxergar a grandeza que temos e a enorme honra de trabalhar de forma digna, estudando, se qualificando, tornando-se competente para ofertar à sociedade uma Fisioterapia e Terapia Ocupacional de qualidade.

Enquanto Conselho o que nós podemos dizer é que durante o tempo que ficarmos na gestão, aquilo que pudermos promover para dar condições a essas duas profissões para crescer, nós faremos. Como qualquer ser humano, somos falhos, mas se todos nós nos unirmos para promover uma Fisioterapia e uma Terapia Ocupacional de qualidade nós vamos conseguir e vamos fazer diferente. É importante também arregaçarmos as mangas e fazermos um futuro diferente; somos detentores de um título que muita gente hoje queria, mas que poucos possuem, apesar da quantidade de cursos; muita gente queria e tantos possuem e não valorizam essas profissões que são dignas e importantes para qualquer cidadão.


Dr. Silano Souto Barros
Presidente do CREFITO 1

Luan César Simões
Fisioterapeuta

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Entrevista com o Presidente do CREFITO 1 - Parte III




Terceira parte da entrevista realizada com o presidente do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 1ª Região.
Leia também a primeira e segunda parte da entrevista.


NOS ÚLTIMOS DIAS O CREFITO 1 LANÇOU UMA RESOLUÇÃO VISANDO COIBIR O DESENFREADO AUMENTO DE ANÚNCIOS DE FISIOTERAPIA DERMATO-FUNCIONAL EM SITES DE COMPRA COLETIVA POR PREÇOS ÍNFIMOS. ENTRETANTO, EXISTE UMA DIFICULDADE PARA FISCALIZAR ESSES ANÚNCIOS E SEUS RESPECTIVOS ATENDIMENTOS, JÁ QUE MUITAS VEZES SÃO ANUNCIADOS COMO SENDO DE PROFISSIONAIS DE ESTÉTICA E REALIZADOS EM DOMICILIO. À MÉDIO E LONGO PRAZO COMO O SENHOR ACHA QUE PODERÍAMOS COMBATER ESSA PRÁTICA?

Na verdade é importante lembrar que o nosso código de ética já fazia alusão a essa prática, mesmo sendo de 1968, período que nem existia internet, por isso não se fala em nome da internet e ele não fala em sites de compra coletiva. Nesse caso o CREFITO 1 julgou necessário a elaboração de uma resolução para usar os termos abertamente, justamente para não deixar margem amanhã pra qualquer abertura jurídica. Fomos enfáticos apesar do código já preconizar. Observamos como tem sido a resposta dentro da Fisioterapia como da população como um todo e estamos vendo que temos apoio, assim como muita gente tem comentado de forma contrária, achando que fere direito do consumidor e da livre concorrência. Importante sermos austeros e vamos ser! Primeiro não estamos ofertando nenhum produto como uma loja de conveniência; não estamos vendendo fruta, papel ou trabalhando com cimento, e não tenho nada contra as profissões que trabalham com fruta, papel ou cimento. Estamos trabalhando com vidas, a Fisioterapia não se resume à estética que está se vendendo em pacotes desenfreados para beleza. Oferecemos um serviço de saúde que mexe com a vida humana, nós cuidamos de vidas e não estamos prontos a permitir em nenhum momento o leilão que se faz na internet com a vida e as patologias que acometem a coletividade. Enquanto Conselho e protetores do cidadão nos vamos sim dá continuidade à fiscalização e ao competente processo ético, buscando a punição daqueles que se atreverem a ir de encontro ao código de ética da Fisioterapia.
Há vários momentos que podemos perceber com clareza o que o código de ética diz sobre essas questões:


CAPÍTULO SEGUNDO
Art. 7º
P. 11
oferecer ou divulgar seus serviços profissionais de forma compatível com a dignidade da profissão e a leal concorrência”

Art. 8º É proibido ao fisioterapeuta e ao terapeuta ocupacional, nas respectivas áreas de atuação: 

P. 16º
angariar ou captar serviço ou cliente, com ou sem a intervenção de terceiro, utilizando recurso incompatível com a dignidade da profissão ou que implique em concorrência desleal;”
P. 20
“dar consulta ou prescrever tratamento por meio de correspondência, jornal, revista, rádio, televisão ou telefone”
P. 28
prescrever tratamento sem examinar diretamente o cliente, exceto em caso de indubitável urgência ou impossibilidade absoluta de realizar o exame”

PARAG, UNICO
ART. 9º
Art.30
“É proibido ao fisioterapeuta e/ou terapeuta ocupacional prestar assistência profissional gratuita ou a preço ínfimo, ressalvado o disposto no art. 29, e encaminhar a serviço gratuito de instituicão assistencial ou hospitalar, cliente possuidor de recursos para remunerar o tratamento, quando disso tenha conhecimento.”
Art. 31
“É proibido ao fisioterapeuta e/ou terapeuta ocupacional afixar tabela de honorários fora do recinto de seu consultório ou clínica, ou promover sua divulgação de forma incompatível com a dignidade da profissão ou que implique em concorrência desleal.”

Essa gestão não é contra os sites de compra coletiva e acha interessante, mas que negocie produtos, bens de consumo. É importante a livre concorrência para que nós, consumidores, tenhamos como comprar produtos de qualidade por preços mais acessíveis; o que não pode é oferecer a saúde e a dignidade da população brasileira, isso não pode! O fisioterapeuta não é comerciante, ele é um profissional da área da saúde e como diz o primeiro artigo do código de ética:

O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional prestam assistência ao homem, participando da promoção, tratamento e recuperação de sua saúde”

Então cuidar da população desde a prevenção, passando pela promoção até a reabilitação é ético, e cuidar do homem é ético! Não é ético estarmos leiloando a saúde coletiva em sites e não permitiremos isso e seremos austeros; esse Conselho vai agir de forma imparcial nessa situação.

EM 2001 O COFFITO RECONHECEU A OSTEOPATIA E QUIROPRAXIA COMO ESPECIALIDADES DO FISIOTERAPEUTA, ENTRETANTO DIANTE DO CRESCIMENTO DESSAS “ESPECIALIDADES” E DA RELEVÂNCIA QUE AS MESMAS APRESENTAM NO CENÁRIO INTERNACIONAL, SURGIU UMA PL NO CONGRESSO NACIONAL SOLICITANDO A REGULAMENTAÇÃO DA QUIROPRAXIA NO BRASIL. DIANTE DESSE ACONTECIMENTO QUAL A VISÃO DOS CONSELHOS FEDERAL E REGIONAIS?

A Osteopatia e a Quiropraxia são especialidades da Fisioterapia no Brasil, enquanto especialidades nós vamos continuar lutando para continuar assim sendo porque também trabalha com o toque direto no paciente, com a mobilização, com as cadeias osteomioarticulares; agora em outros países, como nos EUA, a Quiropraxia é uma profissão muito forte. Realmente aqui no Brasil existia um P.L. tentando criar a Quiropraxia como profissão, entretanto na virada do ano, não houve a reeleição do deputado autor e o projeto foi arquivado sem chances de voltar. Porém, os Quiropraxistas de fora do país e alguns daqui, se bem que aqui não admitimos, mas existem alguns fisioterapeutas especialistas que se dizem Quiropraxistas; estão tentando novamente criar um P.L., e eles têm um enorme volume de dinheiro e temos que estar atentos. Nesse caso temos a Comissão Parlamentar do COFFITO que estão trabalhando de maneira grandiosa com uma equipe de dois profissionais por semana, tanto na câmara quanto no senado, tentando coibir essa ação, isso se chama a defesa da profissão e vamos lutar para que continue sendo da Fisioterapia. Inclusive algumas regionais já deportaram alguns “Quiropraxistas” junto com a Polícia Federal.

CONTINUA

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Entrevista com o Presidente do CREFITO 1 - Parte II



Segunda parte da entrevista realizada com o presidente do Conselho de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, 1ª Região. 
Perdeu a primeira parte? Clique aqui e veja!


ANUALMENTE AUMENTA-SE A OFERTA DE PROFISSIONAIS DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL NO MERCADO DE TRABALHO DO BRASIL, MUITO DISSO SE DÁ PELA CRESCENTE ABERTURA DE NOVAS FACULDADES, MUITAS VEZES COM POUCA QUALIDADE NO ENSINO, SE TORNANDO MERAS “FÁBRICAS DE DIPLOMA”. O MEC CRIOU O ENAD COMO FERRAMENTA PARA ANALISAR E QUALIFICAR ESSAS INSTITUIÇÕES. HOJE EXISTE UM DEBATE NO MEIO ACADÊMICO VISANDO A CRIAÇÃO DE UMA NOVA FERRAMENTA ESTILO OAB PARA SELECIONAR OS “BONS E MAUS” PROFISSIONAIS DO MERCADO E CONSEQUENTEMENTE, LIMITAR A ABERTURA DE NOVAS IES. QUAL A OPINIÃO DO SENHOR À RESPEITO DO SISTEMA EDUCACIONAL ATUAL, LEVANDO-SE EM CONSIDERAÇÃO OS CURSOS DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL E A RELAÇÃO COM O MERCADO DE TRABALHO DESSAS PROFISSÕES?

Realmente houve no Brasil um aumento significativo de escolas de nível superior de Fisioterapia, enquanto que a Terapia ocupacional vem numa via contraria; há uma carência de T.Os, estamos em campanhas para abrir cursos na Universidades Federais.

A abertura de IES de Fisioterapia nunca passou pelos Conselhos, isso porque quem abre os novos cursos é o MEC. Entretanto, no ano passado, por aprovação de uma lei que entra em vigor neste ano, o MEC fará uma consulta ao Conselho Federal de cada profissão, mas será apenas uma consulta, mesmo o Conselho se colocando contra, o MEC poderá abrir. É importante que esse parecer, embora consultivo, seja trazido para o Conselho Regional, pois quem melhor sabe da condição e da necessidade local é o regional. Diante disso, pedimos que a Comissão de educação também crie uma oportunidade para que o Conselho regional se pronuncie sobre essa abertura, pois queremos participar dessa decisão.

Quanto à prova de proficiência que OAB possui, existe um projeto de lei que possibilita essa mesma iniciativa em outras profissões, mas as leis brasileiras não permitem essa prática; a OAB só possui porque na época a lei permitia. Porém nos temos outras formas de trabalhar a qualidade do profissional, uma delas é através do título de especialista; o sistema COFFITO/CREFITOs farão a prova em todo o Brasil, ao contrário de antigamente onde cada sociedade de especialistas aplicava a sua própria prova; aqui na PB será realizada em João Pessoa e Campina Grande. Essa prova amanhã será uma determinante na qualidade do ensino. Hoje a lei que regulamenta a presença do fisioterapeuta em UTI diz que toda equipe deverá ter um coordenador técnico e este deverá ser especialista em Fisioterapia Cardiorrespiratória. Importante lembrar que são muitos profissionais e temos que lutar para que abram mais postos de trabalho, só em PE serão necessários cerca 400 profissionais. Se tivermos outras áreas com essa obrigatoriedade do fisioterapeuta, nos teremos novas áreas de trabalho e o mercado irá suportar esse novo número. Fora isso, é importante que cada profissional se qualifique mais, pois se iniciou uma guerra proporcionada pelo MEC a partir da abertura de novas faculdades e o próprio mercado de trabalho irá excluir os profissionais sem qualidade e selecionar os mais preparados.

SOBRE OS VÁRIOS ABUSOS COMETIDOS NOS ÚLTIMOS TEMPOS PELOS PLANOS E CONVÊNIOS DE SAÚDE, MUITAS VEZES REPASSANDO VALORES IRRISÓRIOS PARA OS ATENDIMENTOS DOS PROFISSIONAIS. O QUE O CONSELHO PLANEJA FAZER PARA QUE ESSA SITUAÇÃO SEJA SANADA?

Primeiro, o Conselho não trabalha na regulamentação nem na negociação desses repasses, porém o CREFITO tem a função de estimular a abertura de entidades para a proteção e para uma oferta de profissão de qualidade. Vem acontecendo no Brasil inteiro a criação de Associações de empreendedores em Fisioterapia e essas entidades tem condições de discutir com os planos e convênios. Ao Conselho cabe sim a função de fazer cumprir a tabela de honorários, para isso, a Comissão de honorários está trabalhando para implementação da tabela nesse sentido, inclusive da Resolução 387 deste ano, fiscalizando o exercício da mesma e punindo os profissionais que estiverem praticando preço inferior. Estaremos juntos com as clínicas de Fisioterapia e Terapia Ocupacional e com os sindicatos e associações de empresários para que eles negociem e repassem os melhores salários aos seus profissionais.

MUITAS VEZES, PELA PRÓPRIA CONDIÇÃO IMPOSTA PELO MERCADO DE TRABALHO, ALGUNS FISIOTERAPEUTAS SE VEÊM NA OBRIGAÇÃO DE REALIZAREM UM ATENDIMENTO POR PRODUÇÃO E MUITAS VEZES ESSE ATENDIMENTO TORNA-SE DE POUCA QUALIDADE. SABEMOS É INVIÁVEL HAVER UMA FISCALIZAÇÃO EM TODOS OS SERVIÇOS DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL, MAS O SENHOR ENXERGA ALGUMA MANEIRA DE BARRAR ESSA QUEDA NA QUALIDADE DOS SERVIÇOS?

Realmente isso foi uma cascata, quando os planos de saúde começaram a pagar muito pouco, o empresário, dono de clínica, para se manter no mercado, começou a trocar a qualidade pela quantidade, e isso foi ruim para a Fisioterapia pois o tratamento deveria ser feito em escala, sem personalização fazendo com que o paciente saísse sem nenhuma melhora, por essa razão, hoje temos uma população que parte dela desacredita na Fisioterapia.

Nós temos que resgatar esse crédito da população pois acima de tudo temos uma profissão que se impõe, e sabemos que resolve o problema do paciente nas mais diversas áreas. Para isso temos feito um programa de resgate da auto-estima do profissional, sendo necessário que os sindicatos e associações também entrem nessa briga para buscar melhorar o piso salarial e os repasses dos planos de saúde para que o profissional possa ofertar um atendimento de qualidade. Se hoje tenho um fisioterapeuta que atende 35, 40 pacientes dentro do serviço, se ele tiver uma remuneração melhor ele vai poder fazer 6 ou 8 atendimentos naquele mesmo turno  possibilitando maior qualidade ao paciente, fazendo com que o objetivo primordial da Fisioterapia seja cumprido, que é a melhora de saúde e da oferta de saúde ao paciente; para isso é necessário toda uma campanha para a valorização  a começar por cada profissional. Aquele que se vende por uma sessão abaixo do valor ínfimo (salvo exceções prescritas no código de ética), ele não é digno da profissão que tem, ele é indigno de permanecer na Fisioterapia. Ele está prostituindo o mercado, este é o termo; e esse profissional com o tempo será esquecido do mercado. Ele tem que entender que o bem maior que está em sua mão é a vida do paciente e não pode ser tão barata assim.


CONTINUA

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Entrevista com o Presidente do CREFITO 1 - Parte I




A partir de hoje e durante essa semana estaremos disponibilizando trechos da entrevista do presidente do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, 1ª Região.



O Dr. Silano Souto Mendes Barros é fisioterapeuta há 13 anos, formado pela UFPE, especialista em Fisioterapia em Terapia Intensiva pela Faculdade Redentor do Rio de Janeiro. Já durante a academia demonstrava interesse pelas questões políticas inerentes à Fisioterapia, sendo presidente do Diretório Acadêmico por quatro anos.
Atualmente trabalha na UTI do Hospital da Restauração do estado de Pernambuco, na UTI geral e na USAN (Unidade de Suporte Avançado da Neurocirurgia)
É tesoureiro da Associação Brasileira de Fisioterapia Cardiorrespiratória e Fisioterapia em Terapia Intensiva (ASSOBRAFIR), regional Pernambuco.
É professor universitário da Faculdade Guararapes – Rede Laureate - nas disciplinas de física e biofísica, Fisioterapia cardiorrespiratória, Fisioterapia em UTI, bioestatística e PTS (Prática Terapêutica Supervisionada). Também é preceptor da UFPE e da faculdade ACES de Caruaru- PE.
Tomou posse como presidente do CREFITO 1  em 28 de Dezembro de 2010 para um mandato de quatro anos. 


A NOVA GESTÃO DO CONSELHO DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL DA 1ª REGIÃO, TOMOU POSSE NO INÍCIO DO ANO DE 2011. QUAIS BENEFÍCIOS OS SENHOR PODERIA CITAR ADVINDOS DESSA NOVA GESTÃO?


        Tínhamos uma chapa intitulada experiência e renovação composta por 18 pessoas, sendo 1/3 de profissionais que já faziam parte do Conselho e 2/3 renovada (profissionais que nunca participaram do Conselho). A idéia era provocar uma renovação no quadro do conselho, porém com um quantitativo para auxiliar nessa mudança. Podemos dizer que se trata de uma gestão de continuidade sem que isso seja sinônimo de repetição. O nosso ideal é continuar os ganhos, as conquistas e as vitórias, corrigindo os erros que aconteceram e acontecerão; assim minimizá-los para não comprometer o futuro da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional. 


  QUAIS SÃO AS SUAS PRIORIDADES A FRENTE DO CREFITO 1?

Entre as prioridades temos o DEFIS, que depois de muita luta e muitas conquistas chegamos a um contingente atual de 6 fiscais, sendo 4 fisioterapeutas e 2 terapeutas ocupacionais para 677 cidades nos 4 estados da jurisdição, representando 1 fiscal fisioterapeuta para cada estado da jurisdição, e 2 terapeutas ocupacionais, um para os estados de PE e AL e outro para o RN e PB. Para a fiscalização existia uma única viatura, e um único funcionário no departamento, além do mais, todos os processos eram feitos em papel.

Tínhamos em torno de 800 processos engavetados esperando pela comissão de ética ou a de sindicância. O DEFIS estava paralisado, porque fiscalizava, mas seu ato de fiscalização não tinha continuidade.

O primeiro passo foi criarmos metas, bem porque o DEFIS não tinha metas anuais de fiscalização. Isso fez com que a coordenação do departamento tivesse condições de criar uma logística de fiscalização, controlando assim os gastos.

Conquistamos junto ao COFFITO a liberação de três viaturas para a fiscalização, uma para cada estado; neste caso a de PE será substituída. Essas viaturas não foram dadas em comodato, como no passado, hoje as quatro pertencem ao CREFITO 1.

Criamos mutirões minimizando assim os processos em espera, hoje temos apenas cerca de 30 processos engavetados. Para a redução do tramite processual, estamos utilizando o sistema Incorp, no qual o fiscal lança o auto e o DEFIS operacionaliza e já vai diretamente para a comissão de ética, infelizmente não podemos diminuir mais por se tratar de um regimento federal, entretanto, estamos discutindo a diminuição do tempo de trâmite do processo junto ao COFFITO. Hoje um processo leva 1 ano e meio, mas pretendemos chegar entre 3 e 6 meses. A idéia é digitalizar, e tornar as comissões com condições de trabalhar de forma mais rápida. Inclusive, estamos trabalhando para que no final deste ano, contratemos mais fiscais para aumentar a capacidade de fiscalização. Sem o DEFIS o CREFITO não funciona!

Outra prioridade que temos é o desmembramento. A PB e o RN já comportam CREFITOS independentes e isso já foi criado na gestão federal passada, mas houveram problemas jurídicos que impediram de darmos prosseguimento ao ato.  Estamos nos esforçando em Brasília para que os conselhos da PB (CREFITO 14) e do RN (CREFITO 15) estejam implantados antes do fim da nossa gestão. Acontece que não é apenas desmembrar, devemos dá condições para os novos conselhos do ponto de vista estrutural, por isso já temos as viaturas. Na PB a nossa delegacia funcionava num empresarial e isso limitava um pouco os serviços, pois não tinha estacionamento, garagem, banheiro próprio, sem copa para servir cafezinho aos nossos profissionais, não tínhamos os setores para o DEFIS e registro; então não era possível se tornar sede. Por essa razão, tiramos daquele empresarial e hoje estamos sediados em uma casa que tem os cômodos bem definidos e adequados para a nossa atividade, inclusive com uma rua bem situada e com estacionamento. Além disso, dobramos os funcionários, um para o atendimento e outro para registro.

Quando um profissional chegava à delegacia para dá entrada numa inscrição definitiva, ele deixava o diploma e este iria para Recife, depois Brasília e voltava para Recife, para só posteriormente chegar a João Pessoa. Isso porque era necessário a assinatura do presidente do COFFITO e do CREFITO 1, por essa razão, criamos um selo com assinatura eletrônica feito por empresas coligadas com a casa da moeda, à prova de falsificação. Eles são colados no diploma sem existir a necessidade que o processo seja burocrático, indo direto pra Brasília e retornando para João Pessoa, Maceió ou Natal. Com essas iniciativas, daremos mais celeridade e viabilizamos o desmembramento dos estados.

O conselho se sente na obrigação de brigar em nível federal pela implantação da tabela de honorários (Resolução COFFITO 367 e 368). Como sabemos, existe um projeto que estabelece o piso salarial do fisioterapeuta, então, obrigatoriamente os sistemas COFFITO/CREFITOs, por meio das Comissões parlamentares se vêem na obrigação de lutar por essas questões. Também temos trabalhado com as secretarias de saúde estaduais para implementar essa tabela, fazendo com que a condições dos profissionais melhorem, pois sabemos que no Brasil não são boas.

Outra questão jurídica que nós estamos lutando é contra as 40h que algumas cidades do interior e muitas vezes o estado vem praticando. Isso é ilegal, bem porque temos uma lei que regulamenta que o fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional. trabalhem, no máximo, 30 horas semanais em serviços publico de saúde. Até então o nosso departamento jurídico conseguiu 100% de vitória, estamos derrubando o serviço de 40h daí a importância da denúncia, é primordial que o profissional denuncie esse serviço público que infringe a lei para podermos derrubar na justiça.

Somos atuantes na fiscalização como um todo, inclusive na do exercício da profissão por leigos. Sobre estágios, estamos estudando e readequando a nova lei do MEC à nossa lei do estagio, porque é salutar darmos condições para que o acadêmico disponha de um estágio de qualidade. É importante também que a sociedade saiba quem o atende, se é por um profissional ou por alguém não instruindo, denunciando e conseqüentemente impedindo que muitos serviços utilizem aquele estudante como mão de obra barata e muitas vezes gratuita.

Junto com a nossa Comissão de Educação, estamos vendo a possibilidade desta em abordar as IES (Instituições de Ensino Superior) pelo menos duas vezes ao ano, de modo que possamos chegar ao estudante em três fases: na entrada, onde o conselho juntamente com a IES vai tentar mostrar e explicar o que é a Fisioterapia e a Terapia Ocupacional; depois na metade do curso, em contato com as disciplinas de ética e deotologia para começar a se familiarizar com as leis do estagio e o código de ética; e no terceiro momento quando o aluno está saindo da instituição e ingressando no mercado de trabalho para esclarecer o que é uma tributo, uma anuidade, quais obrigações, quais direitos e deveres do fisioterapeuta e do terapeuta ocupacional, o que é uma inscrição temporária e definitiva. Em geral, explicar como se dá a estrutura que rege a nossa profissão.

Nós temos processos éticos por inadimplência que estão parados. É interessante lembrar que quem define o valor da anuidade é o COFFITO, o qual leva em consideração a inadimplência, por essa razão, não achamos justo que devemos ter uma anuidade taxada por esse padrão. Esse Conselho tem procurado ser rígido e não vamos perdoar o profissional inadimplente, quanto a esse processo, estamos dando celeridade e vamos punir segundo o código de ética aqueles que se encontram nessa situação. Vamos correr atrás em Brasília para poder diminuir a anuidade assim que diminuir a inadimplência, em virtude disso, no início do ano fizemos uma reunião de planejamento estratégico para nortear os quatro anos de mandato com a participação de todas as Comissões, inclusive com as recentes criadas Comissão de Saúde Mental e Comissão de Saúde Funcional.

Criamos também a Comissão de Articulação, a qual irá tratar de fazer uma aproximação entre o CREFITO e o profissional, deixando mais curto esse caminho e com uma maior “intimidade” para que o profissional se sinta à vontade dentro do Conselho.

Nós criamos uma Assessoria jurídica com mais um advogado, bem porque antigamente havia mil profissionais na jurisdição e atualmente já temos dez mil, com isso o volume aumentou e apenas um profissional não dava conta para dar continuidade aos processos jurídicos.

Estamos tentando dá uma regularidade na Revista do Conselho que é trimestral, para que tenhamos anunciantes para manter o periódico; por outro lado, temos a necessidade da criação de uma Assessoria de comunicação, e estamos em processo de licitação junto ao COFFITO. Tudo isso para fazer com que a sociedade veja os resultados dos nosso atos, as novas resoluções, fiscalizações, dentre outros.


CONTINUA



Reeducação Postural Global (RPG) no tratamento de correções posturais



A coluna vertebral é composta por 33 vértebras, uma sobre a outra, com o objetivo de manter o próprio equilíbrio, suportar o peso do corpo, proporcionar mobilidade para atividades do dia-a-dia como se abaixar; virar para o lado, dentre outras funções importantes. Por sua vez, a coluna divide-se em região cervical contendo 7 vértebras; região torácica com 12 vértebras; região lombar contendo 5 vértebras; região sacral contendo 5 vértebras e por último a região do cóccix com 4 vértebras. Entre uma vértebra e outra existe a presença de discos gelatinosos que amortecem o impacto e ajudam na mobilidade da coluna (figuras abaixo). 




Quando visualizada de perfil, a coluna vertebral possui curvaturas fisiológicas divididas em hiperlordose cervical, hipercifose e hiperlordose lombar como mostra a figura abaixo.



Com o passar do tempo, fatores externos e internos podem levar ao aumento destas curvaturas gerando uma má postura, dores na ao longo da coluna ou ainda deformidades que comprometem a função do individuo. Por essa razão, a coluna merece uma manutenção satisfatória para proporcionar uma boa qualidade de vida. 

Nos dias atuais, é comum o aparecimento de dores musculares decorrentes do estresse cotidiano. Cada pessoa tem sua própria maneira de reagir a estas agressões, adotando determinados padrões para fugir da dor, que acarreta em alterações maléficas na estrutura do corpo, gerando má postura. Essas dores geralmente são localizadas na coluna e em diversas articulações do corpo favorecendo ao aparecimento de pontos de tensão, sobrecarregando a musculatura e proporcionando a sensação de fadiga e cansaço. 



A Reeducação Postural Global (RPG) foi desenvolvida pelo Dr. Philippe E. Souchard na França, no início dos anos 70. É um método que utiliza de contração isométrica e alongamento ativo, isto é, com a colaboração do paciente. Este método baseia-se na teoria do cadeias musculares que se caracteriza por uma ligação direta entre músculos estáticos através de estruturas chamadas de aponeurose. Isso significa dizer que, uma vez tensionado um determinado grupo muscular, essa tensão é transmitida por meio de aponeuroses para as outras cadeias musculares. O paciente é colocado em posturas que promovem alongamento global, reduzindo encurtamento muscular.


Todos os procedimentos feitos na sessão de RPG são sincronizados com um determinado tipo de respiração, mantendo uma relação entre respiração e postura, uma vez que o principal músculo da respiração (músculo diafragma) tem sua importância em muitos desvios. 

De modo geral, esse método é capaz de diminuir dores musculares em qualquer parte do corpo (principalmente aquelas decorrentes de patologias como hérnia de disco, artrose dentre outras), corrigir erros na postura, alongar, fortalecer e relaxar a musculatura reduzindo os níveis de estresse contribuindo para um condicionamento físico adequado e reduzindo a sensação de fadiga. Além disso, este método previne futuros problemas posturais e reumatológicos; melhora a respiração, e contribui para uma efetiva consciência corporal, causando bem-estar e melhora na qualidade de vida.


Abaixo seguem-se algumas indicações do método RPG : 

• Hiperlordose, 
• Hipercifose (corcunda)
• Escoliose;
• Hérnia de disco
• Desvios nos joelhos e nas articulações em geral,
• Artrose 
• Fibromialgia 
• Dores na cabeça 
• Lesões causadas pelo esporte, 
• Perda de tônus muscular, equilíbrio, flexibilidade e coordenação motora; 

Dr.Gerlane Santos Diniz CREFITO:3779-LTF 
Dr. Luciana Nunes CREFITO:3566-LTF 
Stúdio PilateSaúde: (83)8881-8565/8888-1516
E-mail:rpgsaude@hotmail.com



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João Pessoa, Paraíba, Brazil
Mestre em Fisioterapia pela Universidade Federal de Pernambuco - UFPE; Especialista em Fisioterapia Cardiorespiratoria; Graduado pelo Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ. Atualmente é professor universitário, foi fisioterapeuta do Centro de Reabilitação da cidade de Araruna - PB e é Delegado do Conselho de Fisioterapia e Terapia Ocupacional - Regional 1 na Paraíba. Trabalhou no Núcleo de Acolhida Especial do estado da Paraíba pela SEDH e foi pesquisador voluntário de grupos de pesquisa e estudos em saúde na Universidade Federal da Paraíba - UFPB.

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