domingo, 25 de março de 2012

A Síndrome de Down e o pré conceito: De Kalil em Kalil um dia a gente aprende


          

        Há algumas semanas me deparei com a seguinte notícia em todos os jornais, sites e redes sociais “Jovem Portador de Síndrome de Down é Aprovado no Vestibular da Universidade Federal de Goiás” e fiquei pensando se tal notícia seria uma maneira apenas de informar à população sobre a capacidade dos portadores de Down ou se uma forma de demonstrar o nível de desconhecimento (e surpresa) e até de preconceito da população em geral sobre os portadores desta síndrome.

            O primeiro passo para reverter a atual situação seria informar às pessoas sobre o que é a Síndrome de Down (SD). Todos nós temos em nosso DNA, pares de componentes genéticos chamados de cromossomos numerados de 1 a 23, os quais possuem as nossas características físicas, intelectuais e etc. De maneira simples podemos dizer que a SD é gerada devido a um erro genético produzido pela presença de um cromossomo de número 21 a mais, ou seja, em vez de termos um par cromossômico, temos uma trissomia. Esse distúrbio ocorre, em média, em 1 a cada 800 nascimentos, não distingue raça, cor ou classe social e tem maiores chances de ocorrer em mulheres que engravidam quando estão mais velhas.

           Os olhos amendoados, a face achatada, o pescoço curto, os dedos das mãos menores e o maior relaxamento muscular são características comuns. A possibilidade de ter doenças associadas – como problemas cardíacos e respiratórios, alterações auditivas, de visão e ortopédicas – também está presente nesses indivíduos.

          A síndrome de Down é diagnosticada logo após o nascimento pelo pediatra que analisa as características físicas comuns à síndrome, entretanto, a SD pode ser diagnosticada ainda durante a gestação por meio do exame genético, realizado por um especialista. Não existem graus da Síndrome de Down, porém o ambiente familiar, a educação e a cultura em que a criança está inserida influenciam muito no seu desenvolvimento, ampliando as possibilidades dessa criança evoluir sem grandes dificuldades.

        Os portadores da Síndrome de Down apresentam sim um atraso no seu desenvolvimento motor e pode apresentar déficit cognitivo de leve a moderado, porém, o que poucos sabem é que essas alterações não impedem eles de terem uma vida normal. Sim, as crianças com Down podem e devem freqüentar escolas regulares; os adolescentes podem ter uma vida social normal e os adultos podem estudar, trabalhar e casar-se, por exemplo.

O Kalil Assis Tavares é um jovem de 21 anos e mostrou ao Brasil e ao mundo a potencialidade dos portadores da Síndrome de Down. Assim como qualquer pessoa “normal” que teve oportunidade de ter uma educação digna, ele foi capaz de ser aprovado no vestibular de uma universidade federal.

           O que me chama a atenção nessa história não é o fato dele ter alcançado o objetivo de muitos jovens brasileiros que se esforçam e buscam uma vaga numa universidade pública, mas sim o desconhecimento das pessoas e que em pleno século XXI ainda é possível perceber o preconceito da maioria delas diante do diferente, do desconhecido. As pessoas julgam sem conhecimento, investem em um “achismo” baseado no nada, ou fundamentado no arcaico entendimento anterior ao século XIX, quando pais e professores não acreditavam na possibilidade da alfabetização e esses portadores de SD eram rotulados como doentes e, portanto, excluídas do convívio social.

        A Síndrome de Down não pode continuar sendo interpretada como retardo mental, apesar dos portadores apresentarem um déficit cognitivo variável, isso não os impede de ter uma vida totalmente normal. Mas o que é normal? O normal é uma designação inespecífica, subjetiva e altamente sujeita ao erro, principalmente quando interpretada por pessoas equivocadas ou extremamente preconceituosas. Não se pode admitir discriminar, admite-se incluir. Os portadores da Síndrome de Down precisam sentir-se acolhidos socialmente, não como pessoas “especiais”, mas como cidadãos inteligentes, dignos, politicamente ativos e críticos, envolvidos numa sociedade banalizada e pronta para indevidas rotulações e ausente no seu papel de sociedade acolhedora. Sim, os portadores da Síndrome de Down são especiais, não por nada, mas por representarem uma luta constante contra o preconceito e a injustiça!
           

Supervisão de texto:
Luan César Simões


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Meu perfil

Minha foto
João Pessoa, Paraíba, Brazil
Mestre em Fisioterapia pela Universidade Federal de Pernambuco - UFPE; Especialista em Fisioterapia Cardiorespiratoria; Graduado pelo Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ. Atualmente é professor universitário, foi fisioterapeuta do Centro de Reabilitação da cidade de Araruna - PB e é Delegado do Conselho de Fisioterapia e Terapia Ocupacional - Regional 1 na Paraíba. Trabalhou no Núcleo de Acolhida Especial do estado da Paraíba pela SEDH e foi pesquisador voluntário de grupos de pesquisa e estudos em saúde na Universidade Federal da Paraíba - UFPB.

infoFisio no Facebook

Seguidores

Visitas do mês

Qual seu estado?

Nos siga pelo Email

Contato:

Email: luancesar_01@yahoo.com.br

Blog Archive

Luan César Ferreira Simões. Tecnologia do Blogger.