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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A nova visão da deficiência e do envelhecimento





O envelhecimento tem tomado cada dia mais os debates, os noticiários, as rodas de conversa. Mas o que me chama mais a atenção é que o debate se faz em torno de uma pergunta: como não demonstrar o envelhecimento e parecer sempre jovem? Pensa-se muito na estética, na beleza de um corpo que não é eterno e esquece-se do mais importante, a saúde.

Envelhecer não é sinônimo de adoecer. Nem todo idoso é uma pessoa portadora de alguma doença, mas o que é comum e natural é que este indivíduo perca algumas habilidades e comece a se adaptar da melhor maneira a essa nova fase da sua vida. E muitas vezes nós os consideramos como doentes ou impossibilitados na realização das tarefas (por mais simples que sejam). É esse ponto que eu gostaria de abordar, falar de fragilidade, deficiência e envelhecimento e como a sociedade enxerga esses fenômenos.
           
Muitas vezes por considerarmos a deficiência pelo modelo médico, cometemos o erro de caracteriza-la como doença ou limitação física, considerando aí apenas as desvantagens funcionais do indivíduo e suas limitações corporais; entretanto, em 1960, surgiu no Reino Unido uma nova visão para conceituar a deficiência como sendo um problema social, sendo assim, transfere-se a responsabilidade para a incapacidade da sociedade em prever e se ajustar-se a diversidade.

Portanto, deficiência é definida como: “desvantagem ou restrição de atividade provocada pela organização social contemporânea que pouco ou nada considera aqueles que possuem lesões físicas e os exclui das principais atividades da vida social” (Upias, 1976, p. 3-4).

A intenção do debate era destacar que não havia, necessariamente, relação direta entre lesão e deficiência; onde lesão seria uma característica corporal, como o sexo e a cor da pele, ao passo que deficiência seria o resultado da opressão e da discriminação sofrida pelas pessoas em razão de uma sociedade que se organiza de uma maneira que não permite inclui-las na vida cotidiana. Podemos exemplificar: não poder caminhar é a expressão da lesão, a deficiência consiste na inacessibilidade imposta às pessoas que usam cadeira de rodas.

Em síntese, o modelo médico identifica a pessoa deficiente como algum tipo de inadequação para a sociedade; o modelo social, por sua vez, inverte o argumento e identifica a deficiência na inadequação da sociedade para a inclusão de todos sem exceção.

Muitas das doenças são entendidas como situações temporárias. Assim, embora pessoas doentes possam doentes tenham uma condição de saúde inferior à determinada por algum critério de normalidade, elas podem não ser consideradas deficientes dentro do modelo médico porque sua redução de capacidades é apenas temporária e não permite definir uma identidade. O caminho inverso também é trilhado para separar deficiência de doença, porém com um argumento um pouco mais sofisticado: se a deficiência é uma situação irreversível, é perfeitamente possível redefinir o conceito de normalidade a fim de ajustá-lo à condição permanente das pessoas. A cegueira, por exemplo, passa a ser a condição normal de uma pessoa cega e, portanto, não faz sentido classificá-la como doente. Nesse esquema, uma pessoa que não pode enxergar porque está com uma inflamação ocular grave é uma pessoa doente e uma pessoa cega é uma pessoa deficiente.

Segundo Oliver (1990, p. xiv), “todos os deficientes experimentam a deficiência como uma restrição social, não importando se essas restrições ocorrem em consequência de ambientes inacessíveis, de noções questionáveis de inteligência e competência social, se da inabilidade da população em geral de utilizar a linguagem de sinais, se pela falta de material em braile ou se pelas atitudes públicas hostis das pessoas que não têm lesões visíveis”.

O ato de revelar a relação entre envelhecimento e deficiência é importante por várias razões:

1.                 Indica que o envelhecimento vem acompanhado de algumas limitações nas capacidades físicas e, às vezes, intelectuais; no entanto, apesar do envelhecimento crescente de quase todas as populações do mundo, na maioria delas pouco ou nada se tem feito para que essas limitações não se tornem causa de deficiências;

2.              Mostra que, na ausência de mudanças na forma como as sociedades organizam seu cotidiano, todos seguem em direção a uma fase da vida em que se tornarão deficientes, o que motiva, ainda que por meio da defesa de interesses egoístas, a melhoria das políticas públicas voltadas à deficiência;

3.               Lembra que a interdependência e o cuidado não são algo necessário apenas diante de situações excepcionais e sim necessidades ordinárias em vários momentos da vida de todas as pessoas;  

4.                          Afirma que a previsibilidade do envelhecimento permite entender que muito da deficiência é resultado de um contexto social e econômico que se reproduz no tempo, pois a deficiência no envelhecimento é, em parte, a expressão de desigualdades surgidas no passado e que são mantidas.


Do ponto de vista conceitual, o modelo social enfatiza uma mudança de perspectiva quanto ao peso que características corporais têm na experiência da deficiência, mudança que tem consequências para a formulação de políticas: o reconhecimento da “sociedade deficiente” é tão ou mais importante para a formulação de políticas públicas que a identificação da “pessoa deficiente”. O modelo social jamais ignorou o papel que as perdas de funcionalidade têm na experiência da deficiência, mas enfatiza que, em muitos casos, essa experiência só ocorre por motivos eminentemente sociais. É perfeitamente possível, por exemplo, que, em uma sociedade devidamente ajustada, uma pessoa com algum tipo de limitação funcional não experimente a deficiência.

De modo geral se faz importante a partir dessa nova conceituação que os governos e a sociedade de por completo, passe a entender que o envelhecimento e a deficiência, mesmo que fenômenos diferentes, precisam ser considerados de uma perspectiva mais ampla, fazendo com que os indivíduos idosos e portadores de deficiência sejam realmente incluídos na sociedade para que contribuam e desfrutem de maneira mais igualitária e respeitosa, deixando assim de sermos uma sociedade despreparada e deficiente.


Luan César Simões
Fisioterapeuta

Resumo baseado no texto: A nova maneira de se entender a deficiência e o envelhecimento
 (MEDEIROS, DINIZ, 2004).

terça-feira, 29 de março de 2011

A Fisioterapia na Síndrome da Imobilidade

O QUE É A SÍNDROME DA IMOBILIDADE?

A Síndrome da Imobilidade é comum em idosos, e consiste no estado em que o indivíduo vivencia limitações físicas do movimento, decorrente de alterações que ocorrem naquele que se encontra acamado há um longo período de tempo. Os efeitos da imobilização são definidos como uma redução na capacidade funcional dos sistemas cardiorespiratório, vascular, endócrino, gastrointestinais, urinário, muscular, esquelético e neurológico. Sendo que estas complicações podem ser aumentadas dependendo dos fatores pré existentes de cada paciente, como por exemplo a idade ou uma doença debilitante.

COMO É DIAGNOSTICADA?

Um paciente é considerado portador da síndrome da Imobilidade quando apresenta uma das características do critério maior, ou seja, déficit cognitivo médio a grave, além de múltiplas contraturas. E também apresentar pelo menos duas características do critério menor: sinais de sofrimento cutâneo ou úlcera de pressão, dificuldades na deglutição (disfagia) leve ou grave, incontinência urinária e fecal, e alterações na fala.

Muitos fatores físicos, psicológicos e ambientais podem causar imobilidade em pessoas idosas, como: artrites, osteoporose, fraturas, doença de paget, doença de Parkinson, neuropatias periféricas, seqüelas de acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca grave, doença coronariana instável (anginas), claudicação (doença vascular periférica), doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), dor crônica, desnutrição grave, etc.

Considera-se que de 7 a 10 dias seja um período de repouso, de 12 a15 dias já é considerada imobilização e a partir de 15 dias é considerado decúbito de longa duração. Para cada semana de imobilização completa no leito um paciente pode perder de 10 a 20% de seu nível inicial de força muscular. Por volta de 4 semanas, 50% da força inicial pode estar perdida.

QUAIS SÃO OS ACOMETIMENTOS DECORRENTES DA SÍNDROME?

- Sistema Músculoesquelético: Osteoporose, atrofias, contraturas etc;
- Sistema Tegumentar: Úlceras de pressão, edema, alterações sensitivas, micoses etc;
-Sistema Cardiovascular: Trombose venosa profunda, embolia pulmonar, Isquemia arterial aguda dos membros inferiores;
-Sistema respitarório: Pneumonia e outras doenças estruturais.
-Sistema urinário: Incontinência urinária, Infecção do trato urinário.
-Sistema digestivo: Desnutrição, Constipação, disfagia, distúrbio neuropsiquico.

Fisioterapia Motora e Respiratória no paciente acamado.
 COMO A FISIOTERAPIA PODE AJUDAR?

- Estimulando a movimentação no leito e a independência nas atividades.
- Estimulando a deambulação (caminhada).
- Prevenindo complicações pulmonares.
- Auxiliando na resolução de patologias pulmonares já instaladas.
- Promovendo um padrão respiratório mais eficaz.
- Evitando complicações circulatórias (vasculares).
- Reduzindo a dor.
- Mantendo força muscular e a amplitude de movimentos com exercicios. Ex: Isômetricos, metabólicos, ativos-resistidos e passivos.
- Evitando encurtamentos musculares, atrofias e contraturas.
- Melhorando mobilidade e flexibilidade, coordenação e habílidade.
- Promovendo o relaxamento.
- Prevenindo e tratando o edema (inchaço) que pode ocorrer como consequência da patologia de cirurgias ou da imobilização no leito.
- Promovendo a reeducação postural.
- Promovendo a conscientização corporal.
- Prevenindo as escaras (desde a fase aguda hospitalar, realizando mudanças de decúbito de 2/2hs).

Diante de tantas alterações constata-se que a Síndrome do Imobilismo é de grande sofrimento tanto para os pacientes quanto aos familiares. Fato é que desde 1860 o repouso no leito foi reconhecido como modalidade terapêutica a fim de poupar os "humores ou energia, a partir daí passou a ser adotado de forma abusiva para muitos processos mórbidos. O conceito de "repouso necessita ser atualizado e desmistificado de tal forma que permita a mobilização precoce no pós-operatório e reabilitação geriátrica de modo a deixar o idoso no leito somente o tempo necessário e se necessário. A fisioterapia tem papel fundamental nesse paciente e visa prevenir que o idoso fique restrito ao leito e possa fazer com que possa manter-se útil e ativo.

Luan César Ferreira Simões
Fisioterapeuta


quarta-feira, 16 de março de 2011

Fisioterapia Preventiva na Saúde do Idoso

O envelhecimento populacional mundial vem ocorrendo de forma crescente, graças aos avanços tecnológicos da medicina e às medidas básicas de atenção à saúde adotados. No Brasil não é diferente; o governo investe nas campanhas preventivas e promotoras de saúde para a população idosa, a exemplo da vacinação contra a gripe e os programas de controle do diabetes e da hipertensão. Com isso, a perspectiva é que a população tenha mais longevidade (tempo de vida), a qual pode ou não vir acompanhada de uma qualidade de vida (enlhecimento saudável).

 Diante deste contexto, a Fisioterapia na Saúde do idoso tem como objetivo principal à independência do idoso, no intuito de minimizar as conseqüências das alterações fisiológicas e patológicas do envelhecimento, ocorridas durante o processo do envelhecimento natural, favorecendo uma qualidade de vida satisfatória a pessoa idosa.

A fisioterapia preventiva atua em todos os níveis da saúde, sempre buscando a manutenção ou melhoria do estado funcional, no entanto se o idoso não apresentar nenhuma patologia crônica ou qualquer disfunção que lhe impeça de realizar atividades do dia-a-dia e as atividades fisicas sem restrição específica, de preferência a atividades que busquem a manutenção de  seu estado físico funcional. 
 
A promoção da saúde ano âmbito da geriatria representa um desafio para o fisioterapeuta, pois o idoso precisa ser lembrada em todos os atos, atividades e intervenções que ele pratica. Promover a saúde junto aos idosos deve tornar-se um hábito constante. Isso significa que o fisioterapeuta promove a saúde ao se relacionar com o idoso de forma individual, organizar ou colaborar na organização das atividades destinadas a promoção da saúde, além de colaborar com a comunidade, ajudando na identificação das necessidades em relação à saúde e no desenvolvimento de estratégias destinadas a promover a saúde. O fisioterapeuta, além disso, atua ativamente na elaboração das medidas de saúde pública e  em defesa da promoção da saúde, ainda que seja apenas em nível local.


 

"O valor das coisas não está no tempo em que elas
duram, mas na intensidade com que acontecem. Por
isso, existem momentos inesquecíveis, coisas
inexplicáveis e pessoas incomparáveis".
(Fernando Pessoa)









Luan César Ferreira Simões
Fisioterapeuta


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Fisioterapia na Saúde do Idoso


Esta área da Fisioterapia está em grande ascensão no mercado, já que a população brasileira está vivendo cada vez mais. Justificando assim, a necessidade de maiores estudos e intervenções voltados para esta área. O nosso objetivo é trabalhar a prevenção (primária, secundária ou terciária) e a manutenção do paciente, focando os parâmetros a seguir: respiração, coordenação, propriocepção, memória, equilíbrio, treino de marcha, treino AVD's entre outros... Visando sempre a QUALIDADE DE VIDA do idoso de uma forma global.
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João Pessoa, Paraíba, Brazil
Mestre em Fisioterapia pela Universidade Federal de Pernambuco - UFPE; Especialista em Fisioterapia Cardiorespiratoria; Graduado pelo Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ. Atualmente é professor universitário, foi fisioterapeuta do Centro de Reabilitação da cidade de Araruna - PB e é Delegado do Conselho de Fisioterapia e Terapia Ocupacional - Regional 1 na Paraíba. Trabalhou no Núcleo de Acolhida Especial do estado da Paraíba pela SEDH e foi pesquisador voluntário de grupos de pesquisa e estudos em saúde na Universidade Federal da Paraíba - UFPB.

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