sábado, 11 de fevereiro de 2012

A Fisioterapia do futuro: Ciência, tecnologia e um pouco de realidade


Nos últimos anos temos visto a evolução do Brasil no que diz respeito aos programas de assistência à saúde. Está havendo um grande investimento nesse aspecto, visando a ampliação do atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) para a população. Além disso, o governo federal tem procurado adaptar os novos programas às diversas realidades regionais existentes em nosso país, principalmente estimulando a participação comunitária e que os profissionais estejam cada vez mais envolvidos na comunidade, participando como coadjuvantes e co-resonsáveis no processo de saúde-doença daquela população.
Por essa razão, tem-se buscado um novo perfil de profissional de saúde, deixando de lado a hierarquização e o conhecimento médico-científico verticalizado, e passando a obtenção de um novo paradigma, onde os profissionais estão mais envolvidos e atuantes na comunidade, visando não apenas o tratamento paliativo, mas sim a prevenção, considerando as várias culturas e realidades regionais. Será que nós fisioterapeutas estamos preparados para esse novo momento? Será que a nossa formação acadêmica nos permite vivenciar essa realidade? E a tecnologia, agrega ou atrapalha essa nova concepção social?
O intuito da formação da Fisioterapia é formar um profissional generalista que veja o paciente como um todo e não segmentado ou especializado em uma única área. Este é um diferencial da nossa profissão e deve ser explorado e exigido do acadêmico cada vez mais, tendo a sua formação voltada para a realidade, seja desde o atendimento ao SUS até em clinicas particulares, trazendo sempre em mente, a equidade, responsabilidade e ética ao tratamento do paciente.
O governo tem buscado alcançar novos patamares no que diz respeito à tecnologia aplicada à saúde, entretanto, este ainda é uma questão limitada a grandes centros de pesquisa, principalmente das regiões sul e sudeste. Entretanto, a tendência é que aja uma ampliação nesse segmento, fazendo com que as inovações tecnológicas cheguem às outras regiões. E isso já vem ocorrendo em algumas universidades do Nordeste, que, por meio de projetos de pesquisa, investem em tecnologia.
De toda forma, sabemos que a área da saúde está em constante renovação e isso exige que, além da formação generalista, o profissional venha a ser inovador, de forma que ele busque a novidade dentro daquela realidade, e para que isso aconteça é necessário que ele tenha fome de conhecimento, curiosidade pela pesquisa e acima de tudo pela descoberta de novos métodos e/ou técnicas que venha a beneficiar os pacientes sem os extrapolar os limites da realidade vivenciada.
A cada dia se descobre algo novo, pesquisas surgem, equipamentos mais avançados, medicamentos e técnicas cirúrgicas evoluem. Isto exige uma abordagem diferenciada dos profissionais e uma constante atualização, que devem ser despertada ainda na faculdade. Por isso, o acadêmico deve ser incentivado pelos seus professores a ter uma visão crítica e renovadora sempre com base cientifica, para que esta ciência cresça e conseqüentemente essas inovações venham a trazer benefícios para a Fisioterapia.
Atualmente os programas de ensino contemplam muitas patologias e formas de tratá-las, deixando muitas vezes de lado a prevenção. Esse tipo de formação focada na doença não está adequada à nossa realidade. O nosso país está voltando-se cada vez mais para o aspecto preventivo. Temos uma população que está envelhecendo e que precisa de uma atenção do ponto de vista preventivo para que inúmeras doenças não venham a acometê-la. É fundamental que o profissional de saúde enxergue e saiba atuar nessa situação, mas para que isso ocorra, a universidade deve ser o ponto de partida para a conscientização.
É importante ressaltar que apesar de todos os avanços tecnológicos somos fisioterapeutas, e que o toque e o contato com o paciente é a nossa característica fundamental. Como citado anteriormente, é importante que o Fisioterapeuta cresça com a tecnologia e com as inovações, porém não podemos ficar refens delas. Os avanços da ciência não devem substituir nossa avaliação, anamnese e o contato com o nosso paciente, os quais são importantes aliados no crescimento da nossa profissão.
Com o futuro da profissão novas técnicas surgirão, de modo que cada fisioterapeuta terá que estar preparado para esse novo momento, por isso se torna fundamental a capacitação profissional e ter sempre a visão global do paciente. A Fisioterapia está caminhando a passos largos, porém seguros na conquista do seu espaço dentro da área da saúde.
A tendência é de crescimento da profissão movida pela procura do profissional fisioterapeuta. Se estivermos conscientes do nosso papel e focados em nosso trabalho, dignificando e fazendo valer a nossa ciência, certamente teremos um futuro produtivo e repleto de novidades. A nós, cabe também pesquisar e buscar enaltecer a Fisioterapia por meio da comprovação científica, constatando a eficácia e a eficiência da nossa profissão. Em poucas palavras podemos dizer que o futuro cabe a você, lutar pelo reconhecimento e acima de tudo pela valorização, renovando-se sempre e fazendo da ciência e da tecnologia parceiras na evolução e no crescimento da profissão. Esse é o caminho da Fisioterapia, a união e a dedicação serão as guias nessa caminhada rumo ao futuro. Nosso trabalho é tão digno e valoroso quanto qualquer outro, basta só enxergarmos isso e fazer valer todo nosso potencial. De uma coisa tenho certeza: o futuro não depende de ninguém além de nós! 



Luan César Ferreira Simões
Fisioterapeuta

Graduado em Fisioterapia pelo Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ
Mestrando em Fisioterapia pela UFPE



Especialista em Fisioterapia Cardiorrespiratória
Atua em empresa de Fisioterapia Domiciliar





Dr. Fabricio Lopes Conduta
Fisioterapeuta

Especialista em Fisioterapia Hospitalar

Membro efetivo da Liga sem Dor de Curitiba
Associado a Neurotrauma Brasil

Integrante da Neurorede (Rede Social Colaboratica de Neurociências)
Presidente da Sociedade de Fisioterapia Hospitalar

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Em busca do meu lugar ao sol: Afinal, um bom profissional é formado apenas por títulos?



               Antigamente, concluir a faculdade era sinônimo de emprego certo, de uma carreira promissora, de dinheiro garantido. Acontece que atualmente o mercado de trabalho tem exigido cada vez mais capacitação do profissional, tornando-o mais técnico. Após concluir a universidade muitas dúvidas surgem sobre o mercado de trabalho paralelo à inúmeras decisões fundamentais que refletirão diretamente no sucesso profissional. Aquele profissional dedicado procurará aprofundar seus conhecimentos e lapidar suas habilidades através de cursos de educação continuada/qualificação/capacitação de curta duração ou ainda trilhando o meio científico por meio da pós-graduação.
            De acordo com o MEC existem dois tipos de pós-graduação: lato sensu e stricto sensu. A primeira corresponde a especializações de pelo menos dezoito meses de duração e podem ser custeadas ou remuneradas. A última corresponde ao mestrado e doutorado, os quais são remunerados e exigem dedicação exclusiva durante um período de no mínimo dois anos para a sua conclusão. Sendo assim, a CNPQ (Coordenação de aperfeiçoamento de pessoal de nível superior) não permite que o profissional tenha qualquer vínculo empregatício.
            Geralmente o perfil daqueles que procuram o mestrado e doutorado tende ao ensino e pesquisa, entretanto, com as novas exigências do mercado de trabalho, muitos profissionais da área da saúde estão buscando esses títulos, visando, muitas vezes, melhoria na remuneração, além da qualificação técnico-científica advinda desses cursos.
           Atualmente há um leque de oportunidades e instituições que oferecem especializações em Fisioterapia vista a relevância da profissão em todas as áreas de conhecimento em saúde. Grandes universidades federais normalmente oferecem cursos de mestrado e doutorado (stricto sensu). Para ingressar nessas universidades é necessário ficar atento ao período de inscrições (normalmente no fim do ano), apresentar um projeto direcionado a uma determinada linha de pesquisa, ser submetido a uma prova de idiomas, conhecimentos específicos e participar de uma entrevista com análise de currículo.
            Podem-se citar grandes universidades de referência em Fisioterapia no nordeste e no sudeste, tais como a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e a Universidade Federal de São Carlos (UFScar) respectivamente.  Ainda a universidade Estadual de Londrina (UEL) no eixo sul do país.
            Com relação às especializações lato sensu, há duas vertentes: as especializações “comuns” (com aulas teórico-práticas, geralmente ocorrendo quinzenalmente nos finais de semana) oferecidas por instituições de ensino superior particulares como na Universidade Gamafilho e no Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ), e em públicas como a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul (PUCRS) onde o aluno deve pagar para freqüentar as aulas. Ainda existe um segundo tipo que são as residências oferecidas por instituições federais onde o profissional recebe ajuda de custo ou bolsa de estudos. Essas são geralmente conhecidas como residência em Fisioterapia com abordagem teórico-prática. Pode-se ter como exemplo a residência multiprofissional integrada em saúde da UFPE e da UNIFESP.
            A residência multiprofissional é uma proposta interessante, pois o fisioterapeuta é incluído como um dos atores fundamentais no cuidar de pacientes, seja daqueles internados na unidade de terapia intensiva e/ou daqueles em enfermarias gerais ou específicas do hospital, juntamente com outros profissionais como médico, enfermeiro, nutricionista, psicólogo, fonoaudiólogo, etc. Refletindo assim a importância da interatividade de uma equipe multidisciplinar/interdisciplinar no tratamento dos pacientes internos. Em João Pessoa há a residência multiprofissional do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HU - UFPB).
            Diferentemente das especializações e do mestrado e doutorado, as residências trazem para os profissionais uma carga prática excepcional, bem porque os mesmos estão quase que diariamente integrados na vivência do serviço. Para o mercado de trabalho, esse diferencial pode ser importante quando considerado os aspectos práticos obtidos por meio da experiência.
            O mercado de trabalho exige uma demanda profissional cada vez mais capacitada e atualizada. Estar apto para encarar as dificuldades do meio profissional não é uma tarefa fácil, porém a educação continuada parece ser o caminho mais viável. Perseverança, dedicação e força de vontade são ingredientes fundamentais para o sucesso profissional, mas para que o mesmo ocorra existe uma variedade de outros fatores. É sabido que apenas uma pós-graduação não irá levar o profissional ao auge de sua carreira, mas esse pode ser um começo, o primeiro passo para o engrandecimento curricular, que por si só poderá abrir muitas portas e caberá ao profissional (preparado) aproveitar esta oportunidade e conquistar o seu lugar ao sol.

“Os perdedores vêem a tempestade, os vencedores vêem por trás de densas nuvens raios de sol
Augusto Cury



Dra. Giselle Stephanie Kramer Albuquerque
Fisioterapeuta
João Pessoa - PB

Graduada em Fisioterapia pelo Centro Universitário de João Pessoa - PB
Cursando especialização Reeducação Postural e Pilates
Atua como instrutora de Pilates em João Pessoa - PB




Supervisão de texto: Luan César Simões

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Faculdade de saúde privada: Falta de qualidade, livre concorrência ou caso de polícia?




Muito se fala sobre a relação de qualidade entre instituições de ensino superiores privadas e públicas. A qualidade é um parâmetro extremamente relativo, o que devemos considerar: uma infraestrutura excepcional ou um corpo docente composto quase que totalmente por mestres e doutores? Esse é apenas um exemplo (na maioria das vezes) das diferenças entre as IES privadas e públicas, respectivamente. É certo que sozinhas (a infraestrutura e o copo docente) não serão capazes de transformar alunos em futuros profissionais de sucesso, mas cada uma delas possuem um peso importante na formação profissional.
É importante ressaltar que existem vários profissionais de renome formados em instituições públicas e privadas, isso só reafirma que todos os profissionais formados têm as mesmas chances no mercado de trabalho, independentemente de onde sua formação ocorreu.
Poderemos considerar como um ponto polêmico o desenfreado crescimento de IES privadas ofertando cursos de saúde por mensalidades baixas. É de se questionar se este tipo de faculdade estará preparada para oferecer um ensino, serviço e infraestrutura condizente com as exigências do curso da área da saúde. O curso de Fisioterapia, por exemplo, é um dos quais se exige maior infraestrutura para a sua realização, visto que necessitamos de laboratórios, clínica-escola com ginásios para exercícios e piscina aquecida, equipamentos sofisticados para o atendimento fisioterapêutico e ainda, muitas vezes, de um hospital-escola para a prática nos vários setores do mesmo. Será que este valor de mensalidade, será suficiente para cobrir e/ou manter essa estrutura?
Da mesma forma ocorre com as universidades públicas, muitas vezes sucateadas, com laboratórios antigos, equipamentos quebrados e uma gama de outros problemas que comprometem a prática do alunado junto aos serviços. É importante que os governantes também invistam nas IES publicas, assim como em pesquisas, profissionais e equipamentos de melhor qualidade para viabilizar um melhor aprendizado aos acadêmicos.
Além das inúmeras faculdades que abrem por ano, jogando no mercado de trabalho centenas de novos profissionais, outro item que chama a atenção são os cursos que têm 20% da carga horária semipresencial, tudo isso com autorização do MEC, por meio da Portaria 4.059, de 10-12-04. Porém fica a pergunta: É possível um profissional atender as expectativas do mercado de trabalho tendo como base uma formação à distância?
Muitos alunos são iludidos com a idéia de uma faculdade com custos baixos, aulas semipresenciais e curto tempo de duração do curso, porém há um preço a se pagar posteriormente: a falta de experiência, vivência e pouca aceitabilidade por parte do mercado de trabalho; tendo como fim o inverso daquilo que foi planejado, fazendo do investimento um verdadeiro desperdício de dinheiro e tempo, e tornando o recém-formado um profissional ressentido e propenso a praticar a profissão de qualquer jeito, sem preocupar-se com seus honorários e muitas vezes com as questões éticas inerentes à mesma.
No curso de Fisioterapia, por exemplo, o aluno é bombardeado por uma série de disciplinas, que abordam desde as fisiopatologias das diversas doenças passando pelos exames diagnósticos até o tratamento fisioterapêutico por meio de inúmeros métodos e técnicas específicas. Ao mesmo tempo, é fundamental que este aluno já esteja familiarizado com a parte prática, seja em atendimentos hospitalares, clinicas e/ou na comunidade, sendo em formato de atividades supervisionadas pelos professores. Como aliar a teoria à prática quando o curso é semipresencial e durante o turno da noite? Como formar um profissional fisioterapeuta, que habitualmente mantêm uma relação de toque com o paciente, nessas circunstâncias? Como investir em corpo docente gabaritado e infraestrutura adequada quando se cobra mensalidade de trezentos reais?
Todas as questões devem ser consideradas e analisadas de maneira detalhada, levando em conta não apenas o custo da mensalidade ou o tempo de curso, mas sim o que um curso de qualidade poderá trazer de benefício para sua qualificação e o quanto ele poderá ser importante no seu futuro como profissional e na melhoria da sua profissão, pois não imagine que a profissão está nas mãos dos conselhos de classe ou entidades representativas, a sua profissão está em suas mãos. Como já dissemos, a IES é importante na formação do profissional, mas ela sozinha não é capaz de construir um profissional brilhante, mas pode ser responsável por formar o pior dos fisioterapeutas.
O que não é possível admitir é que usem a área da saúde para enriquecer a custa de pessoas desesperadas à procura de um diploma de ensino superior. O MEC poderia mudar as regras e possibilitar que os conselhos de classe opinassem na aberta ou fechamento de cursos, assim, existiria maior fiscalização e atenção a essa questão. Limitando que o mercado de trabalho se tornasse mais saturado e com profissionais despreparados e prontos para aceitar qualquer valor em troca do seu serviço, pondo um fim ao um ciclo vicioso.


Dr. Fabricio Lopes Conduta


Especialista em Fisioterapia Hospitalar
Membro efetivo da Liga sem Dor de Curitiba
Associado a Neurotrauma Brasil
Integrante da Neurorede (Rede Social Colaboratica de Neurociências)
Presidente da Sociedade de Fisioterapia Hospitalar




Supervisão de texto: Luan César Simões

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

As dificuldades impostas ao ensino superior: Problemas de A a Z




             O ensino superior no Brasil passou e passa por uma série de dificuldades, hoje temos um dos piores sistemas de ensino universitário do mundo, com uma constante ampliação do acesso ao custo da diminuição do padrão de qualidade.
            As grandes diferenças regionais, a pressão por um aumento no numero de vagas, a contribuição para o desenvolvimento tecnológico e inovação, a necessidade de expansão e atualização da pesquisa, a elevação dos padrões de qualidade, os custos elevados e a conquista da autonomia didático-administrativa e financeira são suficientes para dar uma ideia das dificuldades que precisam ser enfrentadas em curto prazo se se quiser evitar uma decadência da educação superior no Brasil.
            A perda da autonomia didático-administrativa e financeira é a primeira grande dificuldade das universidades públicas brasileiras, atualmente essas instituições têm seus currículos e práticas submissos às empresas privadas e ao estado. Com as parcerias público-privadas se acentua a perda da paridade, isonomia entre docentes e amplia-se a influência do capital em ditar os rumos de pesquisas, currículos, projetos e programas no interior da universidade. Não se pode deixar de falar sobre a perda da autonomia de gestão, ou seja, quem determina o que deve ocorrer em termos de contratação de pessoal, patrimônio e diretrizes curriculares são os poderes executivo e legislativo, o que significa submissão das universidades as politicas e programas do governo.
            O ensino superior brasileiro enfrenta ainda dificuldades em decorrência das péssimas condições do ensino básico que dificulta o letramento dos estudantes. Muitos chegam à universidade com sérias dificuldades e lacunas de conhecimentos, habilidades e competências. Outro problema a ser enfrentado por essas instituições é que o Brasil é um país de grandes contrastes sócio-econômicos e culturais e as universidades precisam se preparar para a chegada dos filhos da classe trabalhadora com limites teóricos determinados pela condição concreta de vida e pela pobreza cultural em que muitas famílias vivem sem acesso aos bens culturais.
            Outra dificuldade é a realidade enfrentada pelos docentes do ensino superior, com salários ruins, sem condições dignas de trabalho e uma constante ameaça da perda do regime jurídico único para contratação. Os professores universitários que quando contratados deveriam exercer a docência nos três níveis ensino, pesquisa e extensão, passam a se dedicar exclusivamente à pesquisa devido aos benefícios financeiros e ao maior apoio por parte do capital privado. Já os técnico-administrativos assistem seus postos de serviço desaparecendo, sendo suas funções terceirizadas, substituídas pelas fundações e outras empresas prestadoras de serviço. 
            Na tentativa de solucionar esses problemas o governo lançou mão de políticas compensatórias, como a política de cotas, reserva de vagas, educação à distância, além de programas como o Prouni e o Fies na tentativa de inserir os estudantes das classes mais pobres no ensino superior privado. Essas são as chamadas políticas de alivio da pobreza, servindo apenas para esconder o problema real, sem resolver de vez a questão.
            Os problemas enfrentados pelo ensino superior no Brasil na verdade são problemas da sociedade em geral e não apenas dos governantes, portanto, faz-se necessário uma ação conjunta da sociedade e do governo na busca por soluções viáveis para resolver não só o problema do ensino superior, mas sim da educação brasileira de uma maneira geral.


Dra. Amanda Capistrano de Andrade
Fisioterapeuta
Natal, RN


Graduada em Fisioterapia pela Faculdade de Ciências Médicas de Campina Grande - PB, 
Especialista em Fisioterapia Traumato-ortopédica pela Universidade Gama Filho, 
Cursando especialização em neuroreabilitação pela UFRN.
Atua como fisioterapeuta dermato-funcional e realiza atendimento domiciliar.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

O acesso ao ensino superior: Uma questão de escolha, uma decisão para o futuro!



Durante toda essa semana iremos abordar um assunto de extrema importância: o ensino superior na área da saúde no Brasil. Consideramos os vários aspectos mais relevantes na abordagem dessa temática que é tão importante para os rumos do nosso país, principalmente ao considerarmos a importância estratégica na saúde à nível nacional.
...

Ao terminar o ensino médio uma série de dúvidas toma a cabeça dos estudantes. São tantas áreas de atuação, tantos cursos, tantas Instituições de Ensino Superior (IES), tanta novidade que nem se sabe por onde começar. Sem dúvida o primeiro passo deve ser acumular o maior número de informações acerca dos cursos, analisar o perfil de cada um e ver em qual deles você melhor se identifica.
 Existem várias formas de ingressar em cursos de ensino superior na área da saúde no Brasil. Os candidatos têm um leque de opções que vão desde financiamentos, passando por provas seriadas ou até concessão de bolsas de estudos. Na área da saúde (assim como em tantas outras), o candidato deve ter um perfil específico para poder cursar na área e consequentemente obter sucesso profissional futuramente, sem que nenhuma dúvida venha lhe causar insegurança. É certo que nem sempre o mais comprometido dos acadêmicos se tornará o mais excepcional profissional, isso é relativo e depende de inúmeros fatores. 
Podemos dizer que os requisitos básicos para a área da saúde são: ser compromissado, ter segurança, ser dedicado, ser comunicativo e ter empatia para lidar com as pessoas pois principalmente na área da saúde, não é apenas tratar a doença ou disfunção do paciente, envolve toda a parte psicológica deste e que se bem orientado e cuidado terá uma melhor eficácia e rapidez no tratamento; por fim, ser ético e ter amor à futura profissão, pois independente da área todo profissional ético e que ama a profissão terá muito sucesso na profissão que escolheu seguir.
O passo seguinte no ingresso ao ensino superior é buscar uma IES que ofereça um curso com uma grade curricular de excelência e que seja bem conceituada no MEC. Ocorre uma situação em algumas IES privadas área de saúde: os cursos PC ("pouca-carga"), PACP ("pagou-alguma-coisa-passou"), FQE ("finge-que-ensina") e EF ("entrou-formou") se proliferaram à vontade nos municípios do Estado de São Paulo e no Brasil inteiro. Isso se dá pela procura por faculdades que ofereçam cursos de menor duração e com baixas mensalidades para logo estarem formados e iniciarem sua carreira profissional.
 Essas instituições podem ser chamadas de “Supermercados de Ensino”, as quais consistem em conseguir o maior número de alunos, sem qualidade de ensino e assim acabar lucrando muito com a alta rotatividade de pessoas no curso, lançando no mercado de trabalho um profissional despreparado e com uma formação superior carente.  E será esse profissional que estará prostituindo a profissão ao subvalorizar honorários ou aceitar salários ínfimos. Sem trabalho ou trabalhando como relógio e sem remuneração adequada, passa a atacar a profissão de todas as formas.
Agora me pergunto: por que os candidatos que não têm condição de pagar por uma formação melhor, acabam caindo nisso se existem várias formas de ingresso ao curso de ensino superior de melhor qualidade?
Há vários programas da iniciativa privada e pública que facilitam o acesso dos estudantes à universidade, tais como: FIES, ENEM, PROUNI, COTAS, FINANCIAMENTOS DE BANCOS, VESTIBULARES E PROCESSOS SELETIVOS que concedem BOLSAS DE ESTUDOS aos melhores colocados.
O FIES é um programa realizado entre Governo Federal e Caixa Econômica Federal que possibilita o pagamento trimestral de um valor muito pequeno e num prazo de muitos anos para ser efetuado o pagamento a partir da conclusão do curso do estudante. Já o ENEM é uma prova de 180 questões realizadas em dois dias e que, dependendo da nota, o candidato pode ingressar em um curso de ensino superior com uma bolsa integral ou parcial. Os financiamentos bancários são programas muito semelhantes ao FIES, porém com uma taxa de juros pouco maior. Existem programas de COTAS para negros e indígenas, população de baixa renda, alunos de escola pública, etc. e para finalizar, os tradicionais vestibulares, normalmente realizados em IES públicas, e processos seletivos em instituições de ensino privado que podem conceder bolsas de estudos de 10% a 100% dependendo da colocação do candidato no ranking.
São inúmeras maneiras de ter acesso ao ensino superior, hoje em dia qualquer pessoa pode ser um bacharel, pode ter licenciatura e se dizer graduada, mas o mais importante não deve ser esquecido: não invista em qualquer curso, em qualquer faculdade, não jogue seu futuro no lixo por receio de “perder tempo” com uma carga horária maior ou por impossibilidade de pagar mais caro; invista na sua capacitação, existem vários programas e várias universidades públicas com vagas abertas anualmente. Persevere, estude e tenha objetivos, pois no futuro haveremos de ser recompensados pelas escolhas que fazemos no presente.


João Victor Maciel Mendes

Acadêmico de Fisioterapia da Universidade Santa Cecília - Fisioterapia 
Membro do Diretório Acadêmico Eugênio Lopez Sanchez - Universidade Santa Cecília
Administrador da página: Fisioterapeutas do Sorriso - www.facebook.com/fisioterapeutasdosorriso

Novidades infoFisio 2012

Olá amigos,

Depois de merecidas férias estamos aqui novamente para compartilharmos informações sobre saúde e Fisioterapia. Para o ano de 2012 preparamos uma grande novidade, durante esse período contaremos com o auxílio de um grupo de colaboradores das mais diversas áreas da Fisioterapia. 

Desde já me sinto lisonjeado e agradecido aos nobres colegas por aceitarem o desafio de, juntamente comigo, atualizarmos este espaço que é destinados à todos profissionais, acadêmicos e sociedade como um todo.

Abaixo, apresento-lhes o nosso corpo de colaboradores:


É com imenso prazer que iniciamos este ano de 2012 com essa nova equipe, renovando sempre o interesse de levar à você a melhor informação com objetividade, responsabilidade, ética e respeito.

Sejam todos muito bem vindos!

Luan César Simões
Fisioterapeuta

InfoFisio 2012


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João Pessoa, Paraíba, Brazil
Mestre em Fisioterapia pela Universidade Federal de Pernambuco - UFPE; Especialista em Fisioterapia Cardiorespiratoria; Graduado pelo Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ. Atualmente é professor universitário, foi fisioterapeuta do Centro de Reabilitação da cidade de Araruna - PB e é Delegado do Conselho de Fisioterapia e Terapia Ocupacional - Regional 1 na Paraíba. Trabalhou no Núcleo de Acolhida Especial do estado da Paraíba pela SEDH e foi pesquisador voluntário de grupos de pesquisa e estudos em saúde na Universidade Federal da Paraíba - UFPB.

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