quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Filhos do mesmo Brasil: Uma breve reflexão sobre acessibilidade.




Quantas vezes você já estacionou numa vaga para deficientes físicos ou já viu alguém parar na frente de uma rampa de acesso? Agora me diga se você já se viu impossibilitado de ir a algum lugar porque não tinha transporte adequado ou porque o caminho até este local está impróprio para o seu deslocamento? Essa é uma reflexão simples quando algo não nos atinge e quando nos colocamos na pele daquele que sofre com o tal problema. Hoje falo de acessibilidade.

Acessibilidade significa não apenas permitir que pessoas com deficiências ou mobilidade reduzida participem de atividades que incluem o uso de produtos, serviços e informações, mas a inclusão e extensão do uso destes por todas as parcelas presentes em uma determinada população.

Não é difícil de se deparar com as situações citadas acima, bem porque, segundo o senso de 2000, no Brasil temos 24,5 milhões de pessoas, ou 14,5% da população total sendo portadora de alguma deficiência física. Esses dados não consideram aqueles que experimentam a deficiência temporariamente como gestantes, obesos, dentre outros (imagine se contabilizássemos). 

Será que as cidades brasileiras estão prontas para "acolher" essa demanda de pessoas que necessitam de uma infraestrutura específica? Será que nós estamos prontos para dividir os espaços e fazer valer a acessibilidade? Muito se tem evoluído, tem-se feito bastante, mas muito ainda depende de uma ordem judicial para que se faça cumprir as leis.

O Ministério da Saúde lançou em 2002 a Política Nacional de Saúde da Pessoa com Deficiência objetivando proteger a saúde da pessoa com deficiência; reabilitar a pessoa com deficiência na sua capacidade funcional e desempenho humano, contribuindo para a sua inclusão em todas as esferas da vida social; e prevenir agravos que determinem o aparecimento de deficiências. Se não fosse as ONGs e demais instituições, não sei o que seria daqueles que necessitassem do governo para obter a sua recuperação e consequente qualidade de vida.

A acessibilidade deve ser muito além do que o acesso físico; acessibilidade deve nascer dentro de cada um, visando ao apoio e auxílio para aqueles que necessitam. Quem sabe um dia haverei de reconhecer que meu país seja digno o bastante para tratar seus filhos igualitariamente, sem restringir, sem impossibilitar e sem excluir. Quero viver para ver o dia que entenderemos o sentido real da palavra igual, independente de cor, raça e condição física. Um dia teremos acesso livre ao que é nosso por direito, um dia seremos filhos do mesmo Brasil!

Luan César Simões
Fisioterapeuta




domingo, 4 de dezembro de 2011

A Fisioterapia Hospitalar e suas perspectivas



            Fabricio Lopes Conduta

Especialista em Fisioterapia Hospitalar
Membro da Liga sem Dor de Curitiba
Associado a Neurotrauma Brasil
Crefito- 6499 LTT-F



Primeiramente gostaria de agradecer a oportunidade dada pelo Dr Luan César Simões, pelo fato de expor mais sobre uma das especialidades da Fisioterapia que é a Hospitalar, e pelo espaço dado aos profissionais para expor suas experiências, servir de roteiro para profissionais e estudantes ou até mesmo para aqueles que pretendem seguir esta área e contribuir de forma grandiosa para o crescimento da Fisioterapia.

Vários avanços tecnológicos na área da saúde e o aumento na expectativa de vida da população acabaram refletindo em maior sobrevida dos indivíduos hospitalizados, sendo assim indispensável a atuação do Fisioterapeuta no cotidiano.

Atualmente contamos com inúmeras áreas onde o profissional pode atuar no ramo da Fisioterapia. São grandes as instituições que as oferecem. Durante o período da faculdade, sempre gostei, de uma maneira geral, do ambiente hospitalar e das matérias especificas que havia na grade curricular. Após o término da faculdade, decidi então me especializar em Fisioterapia Hospitalar, tendo como professores grandes nomes da Fisioterapia, servindo de plena concretização para a minha escolha nesta área. 

A especialização em Fisioterapia Hospitalar surgiu em 1996 de uma necessidade de haver um profissional que atuasse de uma forma generalista abordando os pacientes em diversas especialidades. Isto veio a se fortalecer com o advento do conceito de restituir a funcionalidade ao paciente de maneira cada vez mais precoce, anulando os efeitos deletérios da internação, promovendo condições, fatores ideais e qualidade para uma reabilitação fora do ambiente hospitalar, vindo a ser firmado com grande destaque dentro do ambiente hospitalar. O profissional atuante nesta área precisa estar em constante renovação, avaliando o paciente a cada atendimento de maneira global, quebrando assim paradigmas históricos. O conhecimento sobre técnicas básicas de cirurgia se torna fundamental para o atendimento do paciente. Outro item importante nesta área é no que se refere as orientações dadas aos pacientes, tendo em vista que o Fisioterapeuta é o primeiro profissional a ter contato com o mesmo, sendo da mesma maneira importante e recomendável, a continuidade do atendimento fisioterapêutico além do espaço hospitalar.



 Esta especialidade tem por objetivo formar profissionais especialistas com capacidade crítica, preparados para promover ações baseadas em evidências científicas em favor do bem-estar do paciente em ambiente hospitalar, exercendo sobre tudo a INTERDISCIPLINARIDADE e MULTIDISCIPLINARIDADE no ambiente hospitalar, promovendo o bem estar e a qualidade do atendimento ao paciente, nosso principal objetivo.
Atualmente ela é oferecida em várias instituições de renome; em moldes de pós graduação e residências. Entre as disciplinas mais estudadas nesta especialização estão: Pneumo-funcional, cardio-respiratória, neuro-funcional, ortopedia, farmacologia, exames complementares, saúde da mulher, gerontologia, unidades de terapia intensiva (cardiologia, neonatal, pediátrica e adulta). Apesar de ainda não ser uma especialidade reconhecida pelo COFFITO, atualmente contamos com a Sociedade de Fisioterapia Hospital, criada sem fins lucrativos , principalmente educativa e instrutiva para a divulgação e valorização desta especialidade e da Fisioterapia como um todo.

  

  
Nossa luta é levar ao conhecimento de diversos profissionais esta especialidade e desmistificar que o especialista desta área trabalha somente com cardiorrespiratória, o que é erroneamente relatado. Atualmente com quase 3 mil membros entre especialistas e profissionais atuantes neste ambiente; com parcerias fortes, estamos cada vez mais nos fortalecendo. A Sociedade de Fisioterapia Hospitalar espera que um dia esta especialidade venha a ser reconhecida, bem porque a Fisioterapia Hospitalar vem mostrando importância e efetividade, promovendo qualidade de vida entre os pacientes hospitalizados. 

Me coloco a disposição para eventuais dúvidas que possa a vir a ocorrer, e gostaria de deixar o site da Sociedade de Fisioterapia Hospitalar para que conheça um pouco sobre o nosso trabalho!

Obrigado, e sucesso sempre!

Site Sociedade de Fisioterapia Hospitar:
         WWW.fisioterapiahospitalar.webnode.com
E-mail: Fabrício_conduta@hotmail.com




terça-feira, 22 de novembro de 2011

Entrevista para o PbSaúde



O constante crescimento do número de fisioterapeutas fez com que esta classe se aprimorasse cada vez mais. Esse refinamento contínuo fez desses profissionais seres mais capacitados e mais humanos. Hoje, eles vão além das salas de reabilitação física, e começam a ganhar espaço nas Unidades de Terapia Intensiva e Centros de Reabilitação Pulmonar.
Mas ainda são poucos os fisioterapeutas que conseguem com que pacientes de doenças graves voltem à vida normal. Esses “Anjos de UTI” são fisioterapeutas especializados em Fisioterapia Cardiorrespiratória.
Para entender um pouco mais dessa especialidade, conversamos com Dr. Luan César Simões , fisioterapeuta especializado em Fisioterapia Cardiovascular. Confira!
PBsaúde - Em que consiste a fisioterapia cardiorrespiratória?
Como o próprio nome já nos demonstra, esta especialidade da Fisioterapia relaciona-se com o sistema respiratório e cardíaco, e utiliza estratégias, meios e técnicas visando não somente o tratamento para as diversas patologias que envolvem esses sistemas, mas também para a avaliação e prevenção das mesmas. Em suma, podemos afirmar que esta especialidade tem como objetivo otimizar o transporte e oferta de oxigênio, buscando prevenir, reverter e/ou minimizar disfunções aos órgãos-alvo, promovendo assim a máxima funcionalidade e a qualidade de vida dos pacientes.
PBsaúde - Esse tipo de fisioterapia está atrelada somente à hospitais?
Não, a Fisioterapia Cardiorrespiratória atua não apenas em hospitais, mas também no nível ambulatorial, como no caso das clínicas e consultórios, assim como no domicílio do paciente, principalmente daqueles mais críticos, que muitas vezes necessitam de um acompanhamento constante de uma equipe multidisciplinar para a manutenção da sua ventilação pulmonar.
PBsaúde - Muitos pacientes internados em UTI se submetem à fisioterapia cardiorrespiratória. como é feita a avaliação do paciente?
A avaliação fisioterápica é padronizada de maneira a contemplar os diversos sistemas daquele indivíduo, seja neurológico, cutâneo ou osteomioarticular, por exemplo, isso porque muitas das consequências cardiorrespiratórias podem ser advindas de outras causas e/ou sistemas, por essa razão, se faz extremamente necessário que o profissional fisioterapeuta, realize uma avaliação sistêmica do indivíduo. Do ponto de vista cardiorrespiratório, a avaliação se deterá aos vários aspectos referentes àqueles sistemas, a começar pelas informações contidas nos monitores, como as freqüências cardíaca e respiratória, saturação de oxigênio, pressão arterial e eletrocardiograma; depois desses aspectos dar-se-á prosseguimento com a inspeção do tórax, palpação, percussão, ausculta pulmonar e cardíaca, dentre outros pontos que o profissional achar conveniente.
PBsaúde - Como o fisioterapeuta especializado trabalha com pacientes de UTI? Quais as dificuldades?
Muitas pessoas têm no imaginário que a UTI é um ambiente de pessoas prostradas no leito, entregues à doença ou que estejam praticamente mortas e incomunicáveis; mas essa não é a realidade de todas UTIs, muito pelo contrário. Atualmente a tecnologia, as pesquisas e a qualificação profissional estão causando modificações extremas nas UTIs Brasil afora. Hoje em dia as UTIs estão mais humanizadas e o fisioterapeuta tem toda a liberdade de realizar suas técnicas, métodos e estratégias com toda a segurança com o paciente. Quem poderia imaginar que um paciente de UTI poderia deambular (caminhar) dentro do setor estando entubado e realizando exercícios fisioterapêuticos? Mas hoje o fisioterapeuta pode utilizar as mais variadas ferramentas (com segurança) visando o bem-estar dos pacientes, seja nos exercícios, na deambulação assistida, nas manobras torácicas, enfim, existem muitas possibilidades. A dificuldade que eu poderia citar é ainda a concepção retrógrada de alguns gestores quanto à necessidade do fisioterapeuta para a obtenção de bons resultados na UTI, como também da resistência de alguns profissionais em fazer da UTI um novo ambiente, baseado numa visão contemporânea de Unidade de Terapia Intensiva.
PBsaúde - Pacientes em estado de coma também podem submetidos? como são avaliados seus desempenhos?
Sim, sem dúvidas os pacientes que se encontram em estado de coma também passam pelo tratamento fisioterapêutico em cardiorrespiratória, muitas vezes precisando até mais do que aquele outro que está em estado de vigília, isso porque, aquele paciente comatoso está sem nenhum reflexo de defesa no seu corpo e seu estado impossibilita, por exemplo, a remoção das secreções pulmonares, fazendo com que este indivíduo necessite de uma higienização brônquica; além do mais, por estar fazendo uso de um modo ventilatório controlado pela máquina, este paciente poderá apresentar fraqueza da musculatura torácica, podendo trazer complicações futuras para seu pulmão. A avaliação do ponto de vista cardiorrespiratório de um comatoso se dará através dos vários parâmetros apresentados nos monitores, além dos resultados colhidos nos exames complementares como a gasometria arterial. Existem outras maneiras de se avaliar pacientes no coma, a exemplo da presença ou não de drive respiratório (reflexo respiratório), reflexo de tosse, padrão respiratório, enfim, irá depender da patologia que levou aquele indivíduo à UTI como também se o coma é induzido ou não, por exemplo.
PBsaúde - Ao sair da UTI, os pacientes devem continuar com o tratamento?
Possivelmente após a saída desse paciente da UTI para outro setor do hospital ele será acompanhado por um fisioterapeuta para não só reabilitar a questão cardiorrespiratória, mas também por todas as conseqüentes repercussões pelo período que ele ficou internado na UTI. Depois da sua alta hospitalar, o seu acompanhamento ou não, dependerá das suas seqüelas ou da condição de saúde na qual ele se encontra. Por exemplo, o paciente é portador de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) há muitos anos, teve uma crise e foi parar na UTI, melhorou, teve alta hospitalar, entretanto dependerá de oxigenoterapia; possivelmente esse paciente será acompanhado por um fisioterapeuta, não apenas para adequar a sua ventilação e oferta de oxigênio, mas principalmente para evitar que esse indivíduo retorne para a UTI futuramente. Daí a importância de uma equipe interdisciplinar para poder fazer os devidos encaminhamentos para que situações como essas sejam minimizadas e até mesmo evitadas.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Curso de Oratória



O infoFisio Recomenda:





O The Speakers estará realizando o Curso de Oratória em João Pessoa nos dias 10 e 11 de dezembro, no auditório da FUNAD, das 08h00 às 12h00 e das 14h00 às 18h00. O ministrante será Marcos Rodrigues, psicólogo e analista de sistemas, escritor, colunista, empreendedor em série, sócio-fundador do Instituto Guia de Ação, idealizador do Congresso Pernambucano de Empreendedorismo e palestrante convidado em dezenas de eventos para mais de 20 mil pessoas.

O preço promocional de 60 reais profissional e estudante será exclusivo para esta turma. 

Garanta já sua vaga! 

Mais informações, entrar em contato com Thales Henrique Sales 
(83) 9927-9278.





quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A nova visão da deficiência e do envelhecimento





O envelhecimento tem tomado cada dia mais os debates, os noticiários, as rodas de conversa. Mas o que me chama mais a atenção é que o debate se faz em torno de uma pergunta: como não demonstrar o envelhecimento e parecer sempre jovem? Pensa-se muito na estética, na beleza de um corpo que não é eterno e esquece-se do mais importante, a saúde.

Envelhecer não é sinônimo de adoecer. Nem todo idoso é uma pessoa portadora de alguma doença, mas o que é comum e natural é que este indivíduo perca algumas habilidades e comece a se adaptar da melhor maneira a essa nova fase da sua vida. E muitas vezes nós os consideramos como doentes ou impossibilitados na realização das tarefas (por mais simples que sejam). É esse ponto que eu gostaria de abordar, falar de fragilidade, deficiência e envelhecimento e como a sociedade enxerga esses fenômenos.
           
Muitas vezes por considerarmos a deficiência pelo modelo médico, cometemos o erro de caracteriza-la como doença ou limitação física, considerando aí apenas as desvantagens funcionais do indivíduo e suas limitações corporais; entretanto, em 1960, surgiu no Reino Unido uma nova visão para conceituar a deficiência como sendo um problema social, sendo assim, transfere-se a responsabilidade para a incapacidade da sociedade em prever e se ajustar-se a diversidade.

Portanto, deficiência é definida como: “desvantagem ou restrição de atividade provocada pela organização social contemporânea que pouco ou nada considera aqueles que possuem lesões físicas e os exclui das principais atividades da vida social” (Upias, 1976, p. 3-4).

A intenção do debate era destacar que não havia, necessariamente, relação direta entre lesão e deficiência; onde lesão seria uma característica corporal, como o sexo e a cor da pele, ao passo que deficiência seria o resultado da opressão e da discriminação sofrida pelas pessoas em razão de uma sociedade que se organiza de uma maneira que não permite inclui-las na vida cotidiana. Podemos exemplificar: não poder caminhar é a expressão da lesão, a deficiência consiste na inacessibilidade imposta às pessoas que usam cadeira de rodas.

Em síntese, o modelo médico identifica a pessoa deficiente como algum tipo de inadequação para a sociedade; o modelo social, por sua vez, inverte o argumento e identifica a deficiência na inadequação da sociedade para a inclusão de todos sem exceção.

Muitas das doenças são entendidas como situações temporárias. Assim, embora pessoas doentes possam doentes tenham uma condição de saúde inferior à determinada por algum critério de normalidade, elas podem não ser consideradas deficientes dentro do modelo médico porque sua redução de capacidades é apenas temporária e não permite definir uma identidade. O caminho inverso também é trilhado para separar deficiência de doença, porém com um argumento um pouco mais sofisticado: se a deficiência é uma situação irreversível, é perfeitamente possível redefinir o conceito de normalidade a fim de ajustá-lo à condição permanente das pessoas. A cegueira, por exemplo, passa a ser a condição normal de uma pessoa cega e, portanto, não faz sentido classificá-la como doente. Nesse esquema, uma pessoa que não pode enxergar porque está com uma inflamação ocular grave é uma pessoa doente e uma pessoa cega é uma pessoa deficiente.

Segundo Oliver (1990, p. xiv), “todos os deficientes experimentam a deficiência como uma restrição social, não importando se essas restrições ocorrem em consequência de ambientes inacessíveis, de noções questionáveis de inteligência e competência social, se da inabilidade da população em geral de utilizar a linguagem de sinais, se pela falta de material em braile ou se pelas atitudes públicas hostis das pessoas que não têm lesões visíveis”.

O ato de revelar a relação entre envelhecimento e deficiência é importante por várias razões:

1.                 Indica que o envelhecimento vem acompanhado de algumas limitações nas capacidades físicas e, às vezes, intelectuais; no entanto, apesar do envelhecimento crescente de quase todas as populações do mundo, na maioria delas pouco ou nada se tem feito para que essas limitações não se tornem causa de deficiências;

2.              Mostra que, na ausência de mudanças na forma como as sociedades organizam seu cotidiano, todos seguem em direção a uma fase da vida em que se tornarão deficientes, o que motiva, ainda que por meio da defesa de interesses egoístas, a melhoria das políticas públicas voltadas à deficiência;

3.               Lembra que a interdependência e o cuidado não são algo necessário apenas diante de situações excepcionais e sim necessidades ordinárias em vários momentos da vida de todas as pessoas;  

4.                          Afirma que a previsibilidade do envelhecimento permite entender que muito da deficiência é resultado de um contexto social e econômico que se reproduz no tempo, pois a deficiência no envelhecimento é, em parte, a expressão de desigualdades surgidas no passado e que são mantidas.


Do ponto de vista conceitual, o modelo social enfatiza uma mudança de perspectiva quanto ao peso que características corporais têm na experiência da deficiência, mudança que tem consequências para a formulação de políticas: o reconhecimento da “sociedade deficiente” é tão ou mais importante para a formulação de políticas públicas que a identificação da “pessoa deficiente”. O modelo social jamais ignorou o papel que as perdas de funcionalidade têm na experiência da deficiência, mas enfatiza que, em muitos casos, essa experiência só ocorre por motivos eminentemente sociais. É perfeitamente possível, por exemplo, que, em uma sociedade devidamente ajustada, uma pessoa com algum tipo de limitação funcional não experimente a deficiência.

De modo geral se faz importante a partir dessa nova conceituação que os governos e a sociedade de por completo, passe a entender que o envelhecimento e a deficiência, mesmo que fenômenos diferentes, precisam ser considerados de uma perspectiva mais ampla, fazendo com que os indivíduos idosos e portadores de deficiência sejam realmente incluídos na sociedade para que contribuam e desfrutem de maneira mais igualitária e respeitosa, deixando assim de sermos uma sociedade despreparada e deficiente.


Luan César Simões
Fisioterapeuta

Resumo baseado no texto: A nova maneira de se entender a deficiência e o envelhecimento
 (MEDEIROS, DINIZ, 2004).

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Entrevista com o Presidente do CREFITO 1 - Parte IV




Última parte da entrevista realizada com o presidente do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 1ª Região.
Veja também a primeira, segunda e terceira parte dessa entrevista.

Espero que essa entrevista tenha correspondido às expectativas dos leitores e aguardo sugestões de entrevistados para que possamos dar continuidade a essa proposta.


GOSTARÍAMOS DE SABER COMO O SENHOR ENXERGA A FISIOTERAPIA HOJE, DEPOIS DE 42 ANOS DE REGULAMENTAÇÃO? HOUVE AVANÇOS?

Houve avanço sim. Houve tanto avanço que se você traçar um paralelo proporcional, do crescimento da Fisioterapia nesses 42 anos e o da Medicina desde 500 anos atrás, vamos ver que proporcionalmente a Fisioterapia e a Terapia ocupacional cresceram mais; daí a criação do PL 268 (ato médico) que ficou parado há 9 anos na Comissão de constituição e justiça, devido ao forte empenho dos Conselhos de saúde inclusive do COFFITO, e recentemente, no dia 29/09, em uma audiência pública nessa mesma comissão, tivemos uma vitória expressiva sobre a medicina. O problema é que esse crescimento foi quantitativo, o qualitativo ficou a quem, e está na hora de organizarmos e ordenarmos o quantitativo e darmos um start muito maior no crescimento qualitativo. Não é fácil, não vamos conseguir em 2 meses ou 2 anos, nós temos uma gestão de 4 anos e vamos ter dado uma contribuição, mas é importante e primordial, a conscientização do profissional, inclusive de forma política; hoje é considerado feio falar de política, feio é a politicagem que se faz por baixo dos panos por interesse de uma minoria....mas quando fazemos a política verdadeira pela maioria, daí iremos trabalhar a melhora da sociedade. É importante a consciência política do profissional e acadêmico  para que possamos formar quadros, porque é necessário e imprescindível a rotatividade de cabeças e líderes para pensar a Fisioterapia e a Terapia Ocupacional numa quantidade maior para que amanhã possamos ter  a condição de discutir  de igual para igual, inclusive qualitativamente. Tenho orgulho de ser fisioterapeuta e devo as minhas conquistas à minha profissão que é aquela que leva a melhor condição de ver a vida com dignidade; mas é importante que acima de tudo nós possamos dar, com consciência, a dignidade merecida para essa profissão.

É importante a publicação de trabalhos, empenho dos profissionais em associações, para fazer regulamentações como a que foi idealizada através de parcerias com especialidades como a ASSOBRAFIR (RDC 7 da Anvisa). Se não fosse a SOBRAFIR, que completou 25 anos neste ano, junto com seus profissionais, preocupados, não teríamos os frutos mostrando a importância do fisioterapeuta na UTI. Isso porque tivemos vários trabalhos na área e dessa forma, estamos otimizando o serviço e isso só foi comprovado pelo avanço qualitativo da ASSOBRAFIR, por exemplo, e temos isso nas outras áreas, precisamos divulgar. No mundo somos o que menos publicamos, costumo dizer que o maior inimigo da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional é o fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional quando não conscientes da grande missão que eles têm.

PARA FINALIZAR, O SENHOR PODERIA DEIXAR UMA MENSAGEM PARA NOSSOS LEITORES ACADÊMICOS E FISIOTERAPEUTAS ASSIM COMO PARA A COMUNIDADE GERAL QUE ACOMPANHA NOSSO BLOG?

Costumo dizer que o fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional são profissionais que tem uma grande missão aqui na Terra, através das mãos e da sua mente eles têm a possibilidade de transformar vidas. Somente aquele que dependeu da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional, pode ressaltar a grandeza dessas duas profissões, e nós, que exercemos essas profissões, em busca do vio metal, muitas e muitas vezes abrimos mão dessa grandeza e a vendemos de forma tão barata, tornando-a cada vez mais indigna. A mensagem que eu deixo é que estamos fazendo apenas 42 anos nesse ano, muitos já desistiram da profissão, no meu caso, tenho 13 anos e um sou eterno apaixonado pela minha profissão que é a Fisioterapia, e sou um grande admirador da Terapia Ocupacional; acredito que são profissões, e não é da boca pra fora, acredito que são grandes profissões do futuro; não precisamos de bisturi, agulhas ou drogas para promover a melhora. Nós tocamos com afeto, carinho, com dedicação e empenho; temos a oportunidade de criar novas possibilidade e oportunidade para os pacientes; para aqueles que estão em coma, não estão andando, que têm dificuldade de se estabelecer em um determinado local, no seu trabalho, no dia a dia, nas atividades de vida diária; aí está a importância do fisioterapeuta do terapeuta ocupacional.  É importante que nós possamos realmente enxergar a grandeza que temos e a enorme honra de trabalhar de forma digna, estudando, se qualificando, tornando-se competente para ofertar à sociedade uma Fisioterapia e Terapia Ocupacional de qualidade.

Enquanto Conselho o que nós podemos dizer é que durante o tempo que ficarmos na gestão, aquilo que pudermos promover para dar condições a essas duas profissões para crescer, nós faremos. Como qualquer ser humano, somos falhos, mas se todos nós nos unirmos para promover uma Fisioterapia e uma Terapia Ocupacional de qualidade nós vamos conseguir e vamos fazer diferente. É importante também arregaçarmos as mangas e fazermos um futuro diferente; somos detentores de um título que muita gente hoje queria, mas que poucos possuem, apesar da quantidade de cursos; muita gente queria e tantos possuem e não valorizam essas profissões que são dignas e importantes para qualquer cidadão.


Dr. Silano Souto Barros
Presidente do CREFITO 1

Luan César Simões
Fisioterapeuta

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Entrevista com o Presidente do CREFITO 1 - Parte III




Terceira parte da entrevista realizada com o presidente do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 1ª Região.
Leia também a primeira e segunda parte da entrevista.


NOS ÚLTIMOS DIAS O CREFITO 1 LANÇOU UMA RESOLUÇÃO VISANDO COIBIR O DESENFREADO AUMENTO DE ANÚNCIOS DE FISIOTERAPIA DERMATO-FUNCIONAL EM SITES DE COMPRA COLETIVA POR PREÇOS ÍNFIMOS. ENTRETANTO, EXISTE UMA DIFICULDADE PARA FISCALIZAR ESSES ANÚNCIOS E SEUS RESPECTIVOS ATENDIMENTOS, JÁ QUE MUITAS VEZES SÃO ANUNCIADOS COMO SENDO DE PROFISSIONAIS DE ESTÉTICA E REALIZADOS EM DOMICILIO. À MÉDIO E LONGO PRAZO COMO O SENHOR ACHA QUE PODERÍAMOS COMBATER ESSA PRÁTICA?

Na verdade é importante lembrar que o nosso código de ética já fazia alusão a essa prática, mesmo sendo de 1968, período que nem existia internet, por isso não se fala em nome da internet e ele não fala em sites de compra coletiva. Nesse caso o CREFITO 1 julgou necessário a elaboração de uma resolução para usar os termos abertamente, justamente para não deixar margem amanhã pra qualquer abertura jurídica. Fomos enfáticos apesar do código já preconizar. Observamos como tem sido a resposta dentro da Fisioterapia como da população como um todo e estamos vendo que temos apoio, assim como muita gente tem comentado de forma contrária, achando que fere direito do consumidor e da livre concorrência. Importante sermos austeros e vamos ser! Primeiro não estamos ofertando nenhum produto como uma loja de conveniência; não estamos vendendo fruta, papel ou trabalhando com cimento, e não tenho nada contra as profissões que trabalham com fruta, papel ou cimento. Estamos trabalhando com vidas, a Fisioterapia não se resume à estética que está se vendendo em pacotes desenfreados para beleza. Oferecemos um serviço de saúde que mexe com a vida humana, nós cuidamos de vidas e não estamos prontos a permitir em nenhum momento o leilão que se faz na internet com a vida e as patologias que acometem a coletividade. Enquanto Conselho e protetores do cidadão nos vamos sim dá continuidade à fiscalização e ao competente processo ético, buscando a punição daqueles que se atreverem a ir de encontro ao código de ética da Fisioterapia.
Há vários momentos que podemos perceber com clareza o que o código de ética diz sobre essas questões:


CAPÍTULO SEGUNDO
Art. 7º
P. 11
oferecer ou divulgar seus serviços profissionais de forma compatível com a dignidade da profissão e a leal concorrência”

Art. 8º É proibido ao fisioterapeuta e ao terapeuta ocupacional, nas respectivas áreas de atuação: 

P. 16º
angariar ou captar serviço ou cliente, com ou sem a intervenção de terceiro, utilizando recurso incompatível com a dignidade da profissão ou que implique em concorrência desleal;”
P. 20
“dar consulta ou prescrever tratamento por meio de correspondência, jornal, revista, rádio, televisão ou telefone”
P. 28
prescrever tratamento sem examinar diretamente o cliente, exceto em caso de indubitável urgência ou impossibilidade absoluta de realizar o exame”

PARAG, UNICO
ART. 9º
Art.30
“É proibido ao fisioterapeuta e/ou terapeuta ocupacional prestar assistência profissional gratuita ou a preço ínfimo, ressalvado o disposto no art. 29, e encaminhar a serviço gratuito de instituicão assistencial ou hospitalar, cliente possuidor de recursos para remunerar o tratamento, quando disso tenha conhecimento.”
Art. 31
“É proibido ao fisioterapeuta e/ou terapeuta ocupacional afixar tabela de honorários fora do recinto de seu consultório ou clínica, ou promover sua divulgação de forma incompatível com a dignidade da profissão ou que implique em concorrência desleal.”

Essa gestão não é contra os sites de compra coletiva e acha interessante, mas que negocie produtos, bens de consumo. É importante a livre concorrência para que nós, consumidores, tenhamos como comprar produtos de qualidade por preços mais acessíveis; o que não pode é oferecer a saúde e a dignidade da população brasileira, isso não pode! O fisioterapeuta não é comerciante, ele é um profissional da área da saúde e como diz o primeiro artigo do código de ética:

O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional prestam assistência ao homem, participando da promoção, tratamento e recuperação de sua saúde”

Então cuidar da população desde a prevenção, passando pela promoção até a reabilitação é ético, e cuidar do homem é ético! Não é ético estarmos leiloando a saúde coletiva em sites e não permitiremos isso e seremos austeros; esse Conselho vai agir de forma imparcial nessa situação.

EM 2001 O COFFITO RECONHECEU A OSTEOPATIA E QUIROPRAXIA COMO ESPECIALIDADES DO FISIOTERAPEUTA, ENTRETANTO DIANTE DO CRESCIMENTO DESSAS “ESPECIALIDADES” E DA RELEVÂNCIA QUE AS MESMAS APRESENTAM NO CENÁRIO INTERNACIONAL, SURGIU UMA PL NO CONGRESSO NACIONAL SOLICITANDO A REGULAMENTAÇÃO DA QUIROPRAXIA NO BRASIL. DIANTE DESSE ACONTECIMENTO QUAL A VISÃO DOS CONSELHOS FEDERAL E REGIONAIS?

A Osteopatia e a Quiropraxia são especialidades da Fisioterapia no Brasil, enquanto especialidades nós vamos continuar lutando para continuar assim sendo porque também trabalha com o toque direto no paciente, com a mobilização, com as cadeias osteomioarticulares; agora em outros países, como nos EUA, a Quiropraxia é uma profissão muito forte. Realmente aqui no Brasil existia um P.L. tentando criar a Quiropraxia como profissão, entretanto na virada do ano, não houve a reeleição do deputado autor e o projeto foi arquivado sem chances de voltar. Porém, os Quiropraxistas de fora do país e alguns daqui, se bem que aqui não admitimos, mas existem alguns fisioterapeutas especialistas que se dizem Quiropraxistas; estão tentando novamente criar um P.L., e eles têm um enorme volume de dinheiro e temos que estar atentos. Nesse caso temos a Comissão Parlamentar do COFFITO que estão trabalhando de maneira grandiosa com uma equipe de dois profissionais por semana, tanto na câmara quanto no senado, tentando coibir essa ação, isso se chama a defesa da profissão e vamos lutar para que continue sendo da Fisioterapia. Inclusive algumas regionais já deportaram alguns “Quiropraxistas” junto com a Polícia Federal.

CONTINUA

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Entrevista com o Presidente do CREFITO 1 - Parte II



Segunda parte da entrevista realizada com o presidente do Conselho de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, 1ª Região. 
Perdeu a primeira parte? Clique aqui e veja!


ANUALMENTE AUMENTA-SE A OFERTA DE PROFISSIONAIS DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL NO MERCADO DE TRABALHO DO BRASIL, MUITO DISSO SE DÁ PELA CRESCENTE ABERTURA DE NOVAS FACULDADES, MUITAS VEZES COM POUCA QUALIDADE NO ENSINO, SE TORNANDO MERAS “FÁBRICAS DE DIPLOMA”. O MEC CRIOU O ENAD COMO FERRAMENTA PARA ANALISAR E QUALIFICAR ESSAS INSTITUIÇÕES. HOJE EXISTE UM DEBATE NO MEIO ACADÊMICO VISANDO A CRIAÇÃO DE UMA NOVA FERRAMENTA ESTILO OAB PARA SELECIONAR OS “BONS E MAUS” PROFISSIONAIS DO MERCADO E CONSEQUENTEMENTE, LIMITAR A ABERTURA DE NOVAS IES. QUAL A OPINIÃO DO SENHOR À RESPEITO DO SISTEMA EDUCACIONAL ATUAL, LEVANDO-SE EM CONSIDERAÇÃO OS CURSOS DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL E A RELAÇÃO COM O MERCADO DE TRABALHO DESSAS PROFISSÕES?

Realmente houve no Brasil um aumento significativo de escolas de nível superior de Fisioterapia, enquanto que a Terapia ocupacional vem numa via contraria; há uma carência de T.Os, estamos em campanhas para abrir cursos na Universidades Federais.

A abertura de IES de Fisioterapia nunca passou pelos Conselhos, isso porque quem abre os novos cursos é o MEC. Entretanto, no ano passado, por aprovação de uma lei que entra em vigor neste ano, o MEC fará uma consulta ao Conselho Federal de cada profissão, mas será apenas uma consulta, mesmo o Conselho se colocando contra, o MEC poderá abrir. É importante que esse parecer, embora consultivo, seja trazido para o Conselho Regional, pois quem melhor sabe da condição e da necessidade local é o regional. Diante disso, pedimos que a Comissão de educação também crie uma oportunidade para que o Conselho regional se pronuncie sobre essa abertura, pois queremos participar dessa decisão.

Quanto à prova de proficiência que OAB possui, existe um projeto de lei que possibilita essa mesma iniciativa em outras profissões, mas as leis brasileiras não permitem essa prática; a OAB só possui porque na época a lei permitia. Porém nos temos outras formas de trabalhar a qualidade do profissional, uma delas é através do título de especialista; o sistema COFFITO/CREFITOs farão a prova em todo o Brasil, ao contrário de antigamente onde cada sociedade de especialistas aplicava a sua própria prova; aqui na PB será realizada em João Pessoa e Campina Grande. Essa prova amanhã será uma determinante na qualidade do ensino. Hoje a lei que regulamenta a presença do fisioterapeuta em UTI diz que toda equipe deverá ter um coordenador técnico e este deverá ser especialista em Fisioterapia Cardiorrespiratória. Importante lembrar que são muitos profissionais e temos que lutar para que abram mais postos de trabalho, só em PE serão necessários cerca 400 profissionais. Se tivermos outras áreas com essa obrigatoriedade do fisioterapeuta, nos teremos novas áreas de trabalho e o mercado irá suportar esse novo número. Fora isso, é importante que cada profissional se qualifique mais, pois se iniciou uma guerra proporcionada pelo MEC a partir da abertura de novas faculdades e o próprio mercado de trabalho irá excluir os profissionais sem qualidade e selecionar os mais preparados.

SOBRE OS VÁRIOS ABUSOS COMETIDOS NOS ÚLTIMOS TEMPOS PELOS PLANOS E CONVÊNIOS DE SAÚDE, MUITAS VEZES REPASSANDO VALORES IRRISÓRIOS PARA OS ATENDIMENTOS DOS PROFISSIONAIS. O QUE O CONSELHO PLANEJA FAZER PARA QUE ESSA SITUAÇÃO SEJA SANADA?

Primeiro, o Conselho não trabalha na regulamentação nem na negociação desses repasses, porém o CREFITO tem a função de estimular a abertura de entidades para a proteção e para uma oferta de profissão de qualidade. Vem acontecendo no Brasil inteiro a criação de Associações de empreendedores em Fisioterapia e essas entidades tem condições de discutir com os planos e convênios. Ao Conselho cabe sim a função de fazer cumprir a tabela de honorários, para isso, a Comissão de honorários está trabalhando para implementação da tabela nesse sentido, inclusive da Resolução 387 deste ano, fiscalizando o exercício da mesma e punindo os profissionais que estiverem praticando preço inferior. Estaremos juntos com as clínicas de Fisioterapia e Terapia Ocupacional e com os sindicatos e associações de empresários para que eles negociem e repassem os melhores salários aos seus profissionais.

MUITAS VEZES, PELA PRÓPRIA CONDIÇÃO IMPOSTA PELO MERCADO DE TRABALHO, ALGUNS FISIOTERAPEUTAS SE VEÊM NA OBRIGAÇÃO DE REALIZAREM UM ATENDIMENTO POR PRODUÇÃO E MUITAS VEZES ESSE ATENDIMENTO TORNA-SE DE POUCA QUALIDADE. SABEMOS É INVIÁVEL HAVER UMA FISCALIZAÇÃO EM TODOS OS SERVIÇOS DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL, MAS O SENHOR ENXERGA ALGUMA MANEIRA DE BARRAR ESSA QUEDA NA QUALIDADE DOS SERVIÇOS?

Realmente isso foi uma cascata, quando os planos de saúde começaram a pagar muito pouco, o empresário, dono de clínica, para se manter no mercado, começou a trocar a qualidade pela quantidade, e isso foi ruim para a Fisioterapia pois o tratamento deveria ser feito em escala, sem personalização fazendo com que o paciente saísse sem nenhuma melhora, por essa razão, hoje temos uma população que parte dela desacredita na Fisioterapia.

Nós temos que resgatar esse crédito da população pois acima de tudo temos uma profissão que se impõe, e sabemos que resolve o problema do paciente nas mais diversas áreas. Para isso temos feito um programa de resgate da auto-estima do profissional, sendo necessário que os sindicatos e associações também entrem nessa briga para buscar melhorar o piso salarial e os repasses dos planos de saúde para que o profissional possa ofertar um atendimento de qualidade. Se hoje tenho um fisioterapeuta que atende 35, 40 pacientes dentro do serviço, se ele tiver uma remuneração melhor ele vai poder fazer 6 ou 8 atendimentos naquele mesmo turno  possibilitando maior qualidade ao paciente, fazendo com que o objetivo primordial da Fisioterapia seja cumprido, que é a melhora de saúde e da oferta de saúde ao paciente; para isso é necessário toda uma campanha para a valorização  a começar por cada profissional. Aquele que se vende por uma sessão abaixo do valor ínfimo (salvo exceções prescritas no código de ética), ele não é digno da profissão que tem, ele é indigno de permanecer na Fisioterapia. Ele está prostituindo o mercado, este é o termo; e esse profissional com o tempo será esquecido do mercado. Ele tem que entender que o bem maior que está em sua mão é a vida do paciente e não pode ser tão barata assim.


CONTINUA
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João Pessoa, Paraíba, Brazil
Mestre em Fisioterapia pela Universidade Federal de Pernambuco - UFPE; Especialista em Fisioterapia Cardiorespiratoria; Graduado pelo Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ. Atualmente é professor universitário, foi fisioterapeuta do Centro de Reabilitação da cidade de Araruna - PB e é Delegado do Conselho de Fisioterapia e Terapia Ocupacional - Regional 1 na Paraíba. Trabalhou no Núcleo de Acolhida Especial do estado da Paraíba pela SEDH e foi pesquisador voluntário de grupos de pesquisa e estudos em saúde na Universidade Federal da Paraíba - UFPB.

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