terça-feira, 29 de março de 2011

A Fisioterapia na Síndrome da Imobilidade

O QUE É A SÍNDROME DA IMOBILIDADE?

A Síndrome da Imobilidade é comum em idosos, e consiste no estado em que o indivíduo vivencia limitações físicas do movimento, decorrente de alterações que ocorrem naquele que se encontra acamado há um longo período de tempo. Os efeitos da imobilização são definidos como uma redução na capacidade funcional dos sistemas cardiorespiratório, vascular, endócrino, gastrointestinais, urinário, muscular, esquelético e neurológico. Sendo que estas complicações podem ser aumentadas dependendo dos fatores pré existentes de cada paciente, como por exemplo a idade ou uma doença debilitante.

COMO É DIAGNOSTICADA?

Um paciente é considerado portador da síndrome da Imobilidade quando apresenta uma das características do critério maior, ou seja, déficit cognitivo médio a grave, além de múltiplas contraturas. E também apresentar pelo menos duas características do critério menor: sinais de sofrimento cutâneo ou úlcera de pressão, dificuldades na deglutição (disfagia) leve ou grave, incontinência urinária e fecal, e alterações na fala.

Muitos fatores físicos, psicológicos e ambientais podem causar imobilidade em pessoas idosas, como: artrites, osteoporose, fraturas, doença de paget, doença de Parkinson, neuropatias periféricas, seqüelas de acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca grave, doença coronariana instável (anginas), claudicação (doença vascular periférica), doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), dor crônica, desnutrição grave, etc.

Considera-se que de 7 a 10 dias seja um período de repouso, de 12 a15 dias já é considerada imobilização e a partir de 15 dias é considerado decúbito de longa duração. Para cada semana de imobilização completa no leito um paciente pode perder de 10 a 20% de seu nível inicial de força muscular. Por volta de 4 semanas, 50% da força inicial pode estar perdida.

QUAIS SÃO OS ACOMETIMENTOS DECORRENTES DA SÍNDROME?

- Sistema Músculoesquelético: Osteoporose, atrofias, contraturas etc;
- Sistema Tegumentar: Úlceras de pressão, edema, alterações sensitivas, micoses etc;
-Sistema Cardiovascular: Trombose venosa profunda, embolia pulmonar, Isquemia arterial aguda dos membros inferiores;
-Sistema respitarório: Pneumonia e outras doenças estruturais.
-Sistema urinário: Incontinência urinária, Infecção do trato urinário.
-Sistema digestivo: Desnutrição, Constipação, disfagia, distúrbio neuropsiquico.

Fisioterapia Motora e Respiratória no paciente acamado.
 COMO A FISIOTERAPIA PODE AJUDAR?

- Estimulando a movimentação no leito e a independência nas atividades.
- Estimulando a deambulação (caminhada).
- Prevenindo complicações pulmonares.
- Auxiliando na resolução de patologias pulmonares já instaladas.
- Promovendo um padrão respiratório mais eficaz.
- Evitando complicações circulatórias (vasculares).
- Reduzindo a dor.
- Mantendo força muscular e a amplitude de movimentos com exercicios. Ex: Isômetricos, metabólicos, ativos-resistidos e passivos.
- Evitando encurtamentos musculares, atrofias e contraturas.
- Melhorando mobilidade e flexibilidade, coordenação e habílidade.
- Promovendo o relaxamento.
- Prevenindo e tratando o edema (inchaço) que pode ocorrer como consequência da patologia de cirurgias ou da imobilização no leito.
- Promovendo a reeducação postural.
- Promovendo a conscientização corporal.
- Prevenindo as escaras (desde a fase aguda hospitalar, realizando mudanças de decúbito de 2/2hs).

Diante de tantas alterações constata-se que a Síndrome do Imobilismo é de grande sofrimento tanto para os pacientes quanto aos familiares. Fato é que desde 1860 o repouso no leito foi reconhecido como modalidade terapêutica a fim de poupar os "humores ou energia, a partir daí passou a ser adotado de forma abusiva para muitos processos mórbidos. O conceito de "repouso necessita ser atualizado e desmistificado de tal forma que permita a mobilização precoce no pós-operatório e reabilitação geriátrica de modo a deixar o idoso no leito somente o tempo necessário e se necessário. A fisioterapia tem papel fundamental nesse paciente e visa prevenir que o idoso fique restrito ao leito e possa fazer com que possa manter-se útil e ativo.

Luan César Ferreira Simões
Fisioterapeuta


3 comentários:

  1. Referenciar suas postagens, posso utilizar em trabalhos.
    Grato!

    ResponderExcluir
  2. Muito boa a matéria sobre a síndrome da imobilidade. Ela foi sucinta mais interessante.
    Isis Simões

    ResponderExcluir

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João Pessoa, Paraíba, Brazil
Mestre em Fisioterapia pela Universidade Federal de Pernambuco - UFPE; Especialista em Fisioterapia Cardiorrespiratoria; Graduado pelo Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ. Atualmente é fisioterapeuta no Centro de Reabilitação da cidade de Araruna - PB e representa o Conselho de Fisioterapia e Terapia Ocupacional - Regional 1 por meio da Comissão de Articulação. Trabalhou no Núcleo de Acolhida Especial do estado da Paraíba pela SEDH e foi pesquisador voluntário de grupos de pesquisa e estudos em saúde na Universidade Federal da Paraíba - UFPB.

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