segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A Fisioterapia no Climatério e Menopausa

Desde antes mesmo da primeira menstruação, o ciclo reprodutivo feminino é extremamente dinâmico, causando muitas vezes extremas mudanças fisiológicas nos mais variados órgãos e sistemas do organismo. Todas essas modificações são decorrentes das concentrações de dois hormônios ovarianos, o estrogênio e a progesterona. Estes hormônios atuam nas mais diversas fases da vida da mulher, aumentando e diminuindo a sua concentração constantemente.
Entretanto, por volta da 5º década de vida, as taxas de estrogênio e progesterona começam a diminuir acentuadamente, causando uma série de sinais e sintomas característicos de uma fase chamada climatério. Podemos dizer que seja uma fase de limites imprecisos na vida feminina; compreende a transição do período reprodutivo para o não reprodutivo.
De cada quatro mulheres, pelo menos três experimentam sintomas desagradáveis no climatério. As ondas de calor resultantes de sintomas vasomotores são os mais típicos; estão presentes em 60% a 75% das mulheres. Surgem inesperadamente como crises de calor sufocante no tórax, pescoço e face, muitas vezes acompanhadas de rubor (vermelhidão) no rosto (a temperatura da pele chega a subir cinco graus), sudorese (suor que pode ser abundante), palpitações e ansiedade. As crises geralmente duram de um a cinco minutos e podem repetir-se diversas vezes por dia.
Mas existe diferença entre o climatério e a menopausa? Sim. Poderíamos dizer que a menopausa faz parte do climatério. Para ser mais claro, o termo menopausa vem do grego mēn (mês) e paûsis (interrupção, pausa), ou seja, é a cessação completa da mestruação. Assim como chamamos a primeira menstruação de menarca, também chamamos a última de menopausa.
A queda dos níveis dos hormônios sexuais altera a consistência do revestimento da vagina, da uretra e das fibras do tecido conjuntivo que conferem sustentação à mucosa dessas regiões. Podem surgir incontinência urinária, ardência à micção, facilidade para adquirir infecções urinárias e corrimentos ginecológicos. Os músculos que formam o assoalho responsável pela sustentação dos órgãos genitais e bexiga urinária enfraquecem e podem surgir prolapsos (útero e bexiga caídos). Os pêlos pubianos ficam mais ralos, os grandes lábios mais finos, a mucosa vaginal perde elasticidade e flexibilidade podendo sangrar e doer à penetração.
A partir da menopausa, 1% a 4% da massa óssea é reduzida a cada ano que passa. A perda é mais sentida nas vértebras e nas extremidades dos ossos longos. Há fatores evitáveis que aumentam o risco de perda óssea: dietas pobres em cálcio, com excesso de vitamina D, ingestão exagerada de cafeína, de álcool, tabagismo, vida sedentária e o uso de certos medicamentos.
A Fisioterapia pode ajudar a mulher a passar por essa fase de maneira mais saudável, atuando tanto na prevenção quanto no tratamento. A atividade física é importante para a prevenção de doenças cardiovasculares, osteoporose, alivia os eventos vasomotores, além de ser uma ótima fonte de prazer, pois libera hormônios que causam bem estar e melhoram inclusive a qualidade do sono.
Dessa forma a fisioterapia poderá atuar fazendo um programa completo que associará diversos exercícios aeróbios e de musculação realizados de forma contínua, visando: preservação da flexibilidade, da amplitude de movimento, da força, resistência, equilíbrio, agilidade; estimulação axial; aumento do aporte de sangue, oxigênio, glicose e cálcio propiciando a manutenção de minerais ósseos prevenindo a osteoporose, além de melhorar a conscientização corporal e postural.
          A Fisioterapia também pode atuar no tratamento da incontinência urinária e disfunções sexuais. Muitas mulheres acreditam ser comum a perda de urina com o avançar da idade, e não vêem mais o seu corpo como forma de prazer em sua vida sexual. Isso é um grande engano. Perder urina não é normal, e existem diversos tratamentos. A atividade sexual pode acompanhar a mulher em toda sua vida, se há presença de dor ou incomodo, também pode ser tratada.
A atividade física produz também vários efeitos psicológicos benéficos, tais como: proporcionar prazer, melhorar o convívio social, redução da depressão e tensão, auxiliar na estabilização do humor, prevenindo e conservando o bem estar físico e mental.
É importante ressaltar que os exercícios devem ser orientados por profissionais especializados, pois irão variar de acordo com a idade, severidade da condição patológica (ex. osteoporose), doenças associadas e a funcionalidade da paciente.
Assim, a Fisioterapia na fase do climatério é uma fonte de promover saúde, mas principalmente qualidade de vida, para isso o serviço domiciliar proporciona maior interação do terapeuta com o ambiente do paciente, facilitando a indicação de exercícios e das orientações, além da comodidade e sem dificuldade na locomoção.

Luan César Simões,
Fisioterapeuta.
Crefito: 142222-F

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João Pessoa, Paraíba, Brazil
Mestre em Fisioterapia pela Universidade Federal de Pernambuco - UFPE; Especialista em Fisioterapia Cardiorespiratoria; Graduado pelo Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ. Atualmente é professor universitário, foi fisioterapeuta do Centro de Reabilitação da cidade de Araruna - PB e é Delegado do Conselho de Fisioterapia e Terapia Ocupacional - Regional 1 na Paraíba. Trabalhou no Núcleo de Acolhida Especial do estado da Paraíba pela SEDH e foi pesquisador voluntário de grupos de pesquisa e estudos em saúde na Universidade Federal da Paraíba - UFPB.

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